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Alta de casos de síndrome respiratória em crianças eleva ocupação de leitos em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de São Paulo teve um aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em crianças, o que causou a lotação de hospitais do município. Atualmente, 84% das enfermarias pediátricas e 86% dos leitos de UTI estão ocupados.

O crescimento de casos é considerado normal para o outono, quando aumenta a circulação dos vírus que provocam doenças respiratórias. Segundo hospitais e médicos, a maior parte dos registros está relacionada ao VSR (vírus sincicial respiratório), não à Covid-19.

O jornal Folha de S.Paulo já havia mostrado que, desde o início de março, os hospitais particulares da cidade se preparavam para o aumento de casos e internações. Uma das preocupações era que as crianças poderiam estar mais vulneráveis a vírus que circulam durante esse período depois de ficarem quase dois anos presas em casa devido ao fechamento das escolas e à restrição de circulação durante a pandemia.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade já tinha aumentado o número de leitos infantis exatamente por causa dessa expectativa de crescimento dos casos. Nas últimas semanas, o número de leitos de UTI passou de 96 para 116 e os de enfermaria pediátrica, de 386 para 404.

Os dados da pasta mostram que os casos e internações começaram a subir a partir de março e se mantêm em patamar alto desde então. Os números ainda são menores que os registrados em janeiro, quando houve uma explosão de casos de Covid-19, impulsionada pela variante ômicron, junto a uma onda atípica de gripe para o período.

Dos 6.190 casos de SRAG registrados em quem tem de 0 a 19 anos na última semana, 52,6% foram em crianças com menos de 5 anos. Esse é o público considerado mais vulnerável para os vírus respiratórios, já que tiveram menos contato com eles. Essa faixa etária também concentra 79% das internações registradas no período.

Os dados são das notificações feitas em todos os hospitais da cidade --o que inclui instituições municipais, estaduais, federais, filantrópicas e particulares.

"O que estamos observando é o que acontecia em anos anteriores, antes da pandemia, o aumento de casos durante o outono. Tendo crianças com menos de 2 anos como as que mais são internadas. Esse é o perfil esperado", disse o médico Felipe Lora, diretor técnico do Hospital Infantil Sabará.

Segundo ele, a previsão é de que o número de casos e, consequentemente de internações, cresça ainda mais em maio, mas volte a cair em junho e julho.

"Não há motivo para pânico, porque, diferentemente da pandemia, nós temos um histórico desses casos e sabemos que a tendência é de arrefecer até a chegada do inverno. Em maio, ainda continua alto, mas em junho e julho começa a cair quando chegam as férias escolares", disse.

Para ele, a diferença das síndromes respiratórias registradas neste ano é que os casos graves não têm ocorrido apenas pelo VSR, que costuma ser o mais forte. Segundo ele, os "vírus bonzinhos", como o rinovírus, metapneumovírus e o enterovírus, também têm causado quadros mais graves.

Os especialistas dizem que ainda é cedo para dizer qual a causa desses vírus estarem provocando sintomas mais severos, mas uma das hipóteses é a baixa resistência das crianças após o período de isolamento.

"A gente vem de dois anos em que esses vírus tiveram uma circulação menor por conta do isolamento. Além disso, as crianças pequenas ficaram sem ir para a escola, que é onde normalmente são infectadas e criam imunidade", disse Renato Kfouri, médico especialista em infectologia pediátrica.

No Hospital Infantil Sabará, o número de leitos de UTI pediátrica já foi ampliado nas últimas semanas para atender o aumento de demanda. Eles passaram de 45 para 54. A Beneficência Portuguesa informou ter registrado "uma procura acima do normal na última semana" por esse tipo de leito e diz que está atenta e pronta para a necessidade de ampliar sua capacidade de atendimento.

A rede de Hospitais São Camilo informou que a taxa de ocupação da ala pediátrica está em 93% nas enfermarias e 95% nas UTIs e que está em "constante otimização de fluxos de triagem em pronto-socorro, afim de reduzir o tempo de espera e ampliar a capacidade de atendimento a pacientes graves".

Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que o aumento é considerado comum pela sazonalidade das doenças respiratórias, com alta nos meses de março, abril e maio. Também disse que a rede municipal está preparada para atender a população.

Já a Secretaria Estadual de Saúde informou que está monitorando o cenário e que, se for necessário, pode ativar novos leitos.

Os médicos reforçam que a população pode se proteger desses vírus seguindo recomendações sanitárias, como manter a higienização das mãos das crianças, ambiente arejados, mantê-las bem hidratadas e evitar contato com pessoas que apresentem sintomas.

"Espero que a pandemia tenha deixado um bom aprendizado às famílias, que é de não ignorar sintomas gripais. Criança com sintomas, febre, tosse, dor de garganta, não deve ir para escola. Essa é uma forma de prevenir qualquer doença respiratória, é um cuidado coletivo", disse Lora.

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