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Ação da polícia na cracolândia mantém modelo semelhante ao da gestão anterior

SÃO PAULO. SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil batizou de Operação Resgate as ações a serem realizadas pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) na cracolândia.

A nova denominação enterra de vez a Operação Caronte, realizada pela mesma Polícia Civil entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Essa ação resultou em cerca de 200 presos por tráfico e em mil pessoas qualificadas em termos circunstanciados de ocorrência por uso de drogas em via pública.

Por mais que o nome tenha sido alterado, as ações da Operação Regaste têm aspectos idênticos a sua irmã mais velha.

Assim como a Caronte, idealizada pelo delegado Roberto Monteiro, a Resgate conta com a presença de policiais civis e guardas-civis metropolitanos, mas não há participação da Polícia Militar.

A equipe da PM mais próxima estava na rua Vitória, estacionada ali há cerca de duas semanas impedindo que usuários voltem a tomar o local.

O ingresso no fluxo também é similar entre as operações, com a Polícia Civil responsável pelo incursão por uma rua e a GCM, por outra.

As semelhanças também estão na abordagem aos usuários, com os dependentes químicos separados por gênero para a revista, além de terem seus cachimbos apreendidos.

Mas existe uma diferença. Enquanto na Caronte os policiais chegavam a levar 40 pessoas para a delegacia sob suspeita de tráfico de drogas ou uso de entorpecente em cena livre, a Resgate não tem como objetivo encaminhar dependentes para o DP.

A reportagem acompanhou na tarde desta terça-feira (15) uma das investidas da Operação Resgate, chefiada pelo delegado Arariboia Fusita Tavares.

Policiais civis chegaram pela alameda Barão de Limeira e entraram pela rua dos Gusmões, enquanto os guardas, munidos de escudos e munição não letal, partiram da rua Conselheiro Nébias, na altura da rua Vitória.

A incursão ocorreu por volta das 15h30.

Houve correria. Em certo momento, usuários de drogas invadiriam um estacionamento na Conselheiro Nébias e saíram na Barão de Limeira. Foi possível notar em diversos momentos policiais e usuários conversando sem rispidez ou truculência.

Alguns usuários que permaneceram no fluxo, como é chamada a aglomeração de dependentes químicos, foram colocados na calçada de um estabelecimento fechado, e revistados. Conforme o proprietário, o último locatário entregou as chaves há dois meses, após os clientes minguarem.

O grupo que permaneceu sobre a vigília policial foi liberado cerca de 30 minutos após o início da ação, quando os primeiros pingos de chuva caíram.

Assistentes sociais acompanharam a Operação Resgate em busca de atender possíveis usuários em busca de tratamento ou internação. Entretanto, segundo eles, não houve procura durante a investida da polícia.

Fusita disse que a Resgate vai se concentrar no social, já que são dependentes químicos, mas sem desviar o olhar para os pequenos traficantes que ainda atuam no perímetro.

Da porta de suas lojas, vendedores e comerciantes da rua Conselheiro Nébias acompanharam a movimentação. Eles reclamaram da redução no número de clientes, o que tem feito lojistas migrarem suas vendas para a internet.

Já os usuários reclamaram das ações constantes, chamadas pela polícia de saturação, no local. Frases como: "não devo nada para vocês", "de novo aqui", e "cadê o Lula?", puderam ser ouvidas pela reportagem.

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