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Temer terá que pagar fatura para barrar segunda denúncia na Câmara

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O plenário da Câmara dos Deputados - Givaldo Barbosa / Agência O Globo / 12-9-17

BRASÍLIA - A segunda denúncia contra o presidente Michel Temer chegará à Câmara num cenário mais propício ao presidente do que a primeira, devido ao desgaste do procurador-geral da República, e aos problemas na delação dos donos da JBS. Mas nem por isso a base aliada deixará de apresentar a "lista de insatisfações". O Palácio do Planalto está preparado para as cobranças por mais cargos, novas liberações de emendas parlamentares e críticas ao comportamento do ministro Antonio Imbassahy, responsável pela reforma política. Nos bastidores, as insatisfações dentro da base aliada correrão paralelamente à tramitação da denúncia, a qual, na avaliação de governistas, chega mais fraca e deve ser derrubada. No entanto, a fatura não será pequena.

O Planalto reclama que já gastou mais de 70% do valor destinado às emendas parlamentares do Orçamento da União de 2017 e lembra que a verba é carimbada, ou seja, tem um teto máximo. No jargão do Planalto: a fatura será cobrada, mas os parlamentares votarão com o governo. Mas o próprio Temer terá que ser o articulador, com os , porque a base não aceita a intermediação de Imbassahy.

Nos meses de junho e julho, no auge da discussão da primeira denúncia, o governo explodiu o ritmo dos empenhos das emendas parlamentares. Segundo dados apenas dos deputados, a movimentação de junho a agosto oscilou desta maneira: R$ 1,5 bilhão em junho para os deputados; cerca de R$ 2 bilhões em julho e R$ 119 milhões. Somando deputados e senadores, a liberação foi de R$ 138,6 milhões em agosto. No ano, o governo já gastou quase R$ 4,3 bilhões da verba de R$ 6,1 bilhões da verba geral, que dá uma cota de R$ 10,3 milhões para cada um dos 594 parlamentares.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), disse que a base está mais unida neste momento para derrubar a segunda denúncia e minimiza as queixas dentro dos partidos aliados.

— É aquela coisa da choradeira por cargo, emenda. Mas a choradeira, maior ou menor, sempre existiu — disse Beto Mansur, um dos interlocutores de Temer.

Ele acredita que o ministro Edson Fachin acertou em aguardar o julgamento do STF no próximo dia 20 para enviar a segunda denúncia ao Congresso. Para ele, a denúncia nem deveria ser enviada, já que a própria delação de Joesley Batista, da JBS, está sendo revista.

— Acredito que a denúncia não deveria ser enviada. Mas, se vier para a Câmara, vamos agir rápido para rejeitá-la — disse Beto Mansur.

O líder do PSD na Câmara, deputado Marcos Montes (MG), continua a reclamar da falta de articulação política e do tratamento dado aos aliados mais fiéis, mas tem um discurso contra a segunda denúncia. Montes argumenta que a economia melhorou e que isso é benéfico para opresidente Temer. Além disso, adota o discurso de que Janot admitiu problemas no processo de delação e que isso enfraquece a segunda peça.

— O clima entre a primeira e a segunda denúncias é diferente. Houve a retomada do crescimento e isso vai pesar mais (na base). A tendência é derrubar a segunda denúncia. Claro que há insatisfações, mas não podemos transformar a questão da denúncia numa questão pessoal — disse Marcos Montes, bem mais ameno nos ataques.

Mas a cobrança vem até do PMDB em relação à desarticulação política. href="https://oglobo.globo.com/brasil/vice-presidente-da-camara-xinga-ministro-em-cerimonia-no-salao-verde-veja-video-21816010" target="_blank">O deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) xingou o ministro Imbassahy publicamente. Mas a atitude do deputado, que é amigo de Temer, foi considerada deselegante e isso pode ter o efeito contrário: ou seja, Temer manter Imbassahy.

No caso dos cargos, interlocutores do Planalto dizem que Temer já mexeu em 40 cargos de quem considerou a traição imperdoável. E, no caso das emendas, o discurso é de que a cota é igual para aliados e oposição e que isso está na Constituição dentro da PEC do Orçamento Impositivo. No jargão do Planalto: a fatura será cobrada, mas os parlamentares votarão com o governo.

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