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Hackers chineses se passaram por ex-funcionário dos EUA para roubar e-mails de especialistas em IA

Reuters

WASHINGTON, 1º Out (Reuters) - Hackers chineses têm se passado por especialistas norte-americanos em IA, incluindo um ex-funcionário do governo, para tentar roubar emails de especialistas em inteligência artificial em centros de pesquisa, universidades e outras organizações, disse a empresa de segurança cibernética Proofpoint nesta quinta-feira.

Em um relatório, a Proofpoint afirmou que vinha monitorando os hackers — que apelidou de "TA419" — tentando regularmente roubar senhas de pessoas que trabalham para think tanks, empresas de defesa, universidades e escritórios de advocacia dos EUA ou do Japão desde pelo menos 2025.

A Proofpoint atribuiu os ataques cibernéticos ao grupo chinês com base nos tipos de malware utilizados, na infraestrutura de internet usada para realizar os ataques e nos alvos que observou o grupo priorizar, os quais estão alinhados com as prioridades de coleta de informações da inteligência chinesa.

A Proofpoint afirmou que a campanha recente dos hackers envolveu o envio de emails que se passavam por mensagens de especialistas em IA ou política externa, incluindo Lynne Parker, que anteriormente atuou como diretora-adjunta principal do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. Segundo a Proofpoint, os emails geralmente propunham colaborações ou iniciativas relacionadas à IA antes de direcionar os alvos para sites de roubo de senhas.

A embaixada chinesa em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Pequim nega há muito tempo realizar operações de ciberespionagem.

A Proofpoint se recusou a divulgar os nomes dos alvos dos hackers, dizendo apenas que entre eles estavam "especialistas que trabalham com regulamentação de IA, controles de exportação e estratégia nacional de IA".

A Reuters conseguiu identificar, de forma independente, um deles: Alex Engler, ex-funcionário da Casa Branca que agora dirige o Penn Center on Media, Technology, and Democracy.

Engler disse à Reuters na quarta-feira que recebeu um email aparentemente enviado por Parker, convidando-o "para participar de um novo projeto de políticas de IA". Mas ele afirmou que o email "parecia um pouco estranho, meio nebuloso" e, depois de consultar outras pessoas da área, percebeu que se tratava de um impostor.

Engler afirmou que não podia especular sobre os motivos que levariam alguém a tentar hackeá-lo, mas a Proofpoint disse que sua análise do ataque — que envolveu menos de 10 indivíduos trabalhando para algumas organizações — sugeria "um interesse da inteligência na formulação de políticas dos EUA, e não apenas roubo de tecnologia".

Parker disse à Reuters que Engler era uma das duas pessoas que ela sabia que haviam recebido mensagens suspeitas supostamente enviadas por ela no início de julho. Ela acrescentou que a alegação de envolvimento chinês fazia sentido.

"Os Estados Unidos e a China estão em uma competição em torno da IA", disse Parker. "Tentar fazer com que pessoas na área de políticas de IA revelem informações sobre seus planos de políticas de IA — se esse era realmente o objetivo — não é surpreendente."

 (Por Raphael Satter e AJ Vicens)

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