Na abertura de um congresso de tecnologia bancária realizado em São Paulo na segunda-feira, 24, o presidente do Banco Central afirmou que o Pix se tornou alvo frequente de desinformação e ofereceu ao usuário comum um critério simples de triagem: desconfiar de qualquer texto que anuncie novidade usando os verbos "estuda", "prevê" ou "considera". Segundo ele, essas expressões descrevem discussão interna, não decisão tomada — e a instituição só se manifesta oficialmente por meio de sua diretoria e de seu presidente. A recomendação prática foi direta: em caso de dúvida sobre o Pix, entrar no site do Banco Central.
O alerta veio na esteira da repercussão de reportagens sobre um suposto travamento de 72 horas em transferências consideradas suspeitas. Trata-se de medida em avaliação, não de regra em vigor — exatamente o tipo de assunto que, ao circular sem o verbo certo, chega ao celular das pessoas como se já valesse. O mesmo caminho já foi percorrido por boatos mais antigos e persistentes, como a suposta taxação do Pix, um imposto sobre transferências, multas inexistentes e a ideia de que o governo teria acesso ao saldo das contas.
A confusão tem um custo concreto para o consumidor, e não é apenas o susto. Cada boato sobre "mudança urgente" no Pix vira isca pronta para golpe: a mensagem chega com ar de comunicado oficial, cria pressa e oferece um link de "atualização obrigatória" ou um telefone de "central". Do outro lado, alguém pede senha, código de confirmação ou acesso remoto ao aparelho. O terreno fica ainda mais fértil agora, porque existe uma mudança verdadeira marcada para 1º de setembro: a ampliação do prazo para pedir a devolução de valores enviados em situação de fraude, que passa de 30 para 80 dias.
A separação entre uma coisa e outra é o que protege o bolso. Regra nova de Pix se confere no site do Banco Central ou no aplicativo do próprio banco, aberto por você a partir do ícone no celular — nunca por link recebido em mensagem, e-mail ou rede social. Nenhum banco, e tampouco o Banco Central, liga pedindo senha, código de seis dígitos ou transferência para "conta segura". Diante de uma mensagem alarmante repassada por conhecido, o passo mais útil é o mais chato: não repassar antes de checar na fonte oficial.



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