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Tite começa a sentir pressão no comando da seleção brasileira

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Foto: Reprodução/TwitterCBF

Tite nunca foi unanimidade no futebol. Desde que assumiu a seleção brasileira no lugar de Dunga, em setembro de 2016, ele levou para o time nacional todo o crédito que somava no comando do Corinthians. Não era pouco. Talvez poucos treinadores tenham sido colocado no cargo pela CBF com tanta facilidade, sem controvérsia. Não houve vozes discordantes de sua contratação. Se houve, foram bem baixas. Tite tirou o Brasil de uma incômoda sexta colocação nas Eliminatórias da Copa da Rússia para a classificação com antecedência. O time jogava bem na América.

Agora, depois de perder a Copa do Mundo e ser eliminado com apresentações comuns na Rússia – talvez a derrota para a Bélgica tenha sido o melhor momento da seleção no Mundial –, o treinador começa a ser questionado. Sente no cargo o que todos os seus antecessores sentiram ao longo das cinco conquistas mundiais do Brasil. O empate com o Panamá e a forma frágil com que a seleção se apresentou em sua retomada de trabalhos no ano serviram para atestar o estágio (ruim) do time e colocar Tite contra a parede. A pressão sobre seus ombros hoje é gigantesca, mesmo passando pela República Checa nesta terça, ele começará a ouvir mais cobranças do que plausos durante a Copa América, de 14 de junho a 7 de junho no Brasil.

Tite tem convocado muitos jogadores para testes, o que faz com que o torcedor entenda que ele tem muitas dúvidas ainda em relação ao time. O ciclo para a Copa do Catar só está começando, mas a impressão que se tinha era que o Brasil pudesse estar em um patamar melhor, mais avançado em relação ao futebol mostrado diante do Panamá, semana passada, no empate por 1 a 1. Os jogadores são referências em suas respectivas equipes, disso não há dúvidas, mas eles não conseguem formar um time forte.

Eliminado precocemente na Copa do Mundo de 2018, com um time jogando mal atualmente, ainda sem Neymar, machucado, e tendo de obter resultados (entenda-se título) imediatos na Copa América deste ano, Tite terá de se desdobrar para virar o jogo. No Porto, após a partida com o Panamá, ele e a seleção ouviram vaias, as primeiras do ano. Vaias fortes, diga-se. Vaias de quem não gostou da apresentação. Tite tem falhado também no quesito comunicação. Suas entrevistas têm doses de expressões que mais complicam do que esclarecem. Tite precisa retomar o caminho do bom futebol, das boas e claras palavras e da confiança da torcida. O Estado reuniu seus colunistas para um bate-papo sobre a seleção e o treinador dela. Veja o que eles pensam.

MAURO CEZAR PEREIRA

Colunista do Estadão e comentarista da ESPN

Tite vive seu pior momento na seleção brasileira. Depois da Rússia, ele perdeu o crédito que tinha. Passou do ponto. Até então o Tite era o porta-voz da razão, o senhor do conhecimento, essas coisas pretensiosas. E ele aceitou participar daquilo, entrar naquele jogo e não reagir.

Ele tem méritos, claro, mas se for analisar bem as Eliminatórias, ele pega adversários, como o Equador, por exemplo, tendo de sair pro jogo, precisando desesperadamente do resultado para se classificar. Isso ajudou um pouco. Aqueles jogos de começo, com os times mais resguardados, ele não enfrentou. Ele tem méritos, mas foi superestimado por quase todo mundo.

Foi surpreendido na Copa, teve dificuldades, pecou pela insistência. A experiência não foi positiva. Agora a situação é pior porque não tem nem desempenho nem resultado. O jogo contra o Panamá foi constrangedor. No momento que vence, o cara pode falar o que quiser. Mas nas derrotas os defeitos aparecem. Aparece o defeito da comunicação que é ruim. O discurso é pseudo erudito. Fala palavras que as pessoas não entendem. Tem de se comunicar bem com o público. Quando ele fala o Titês e mescla com resultados ruins o defeito realça. O pior é que ele insiste e até parece acentuar esse discurso. É ridículo.

Essa coisa de último terço do campo. Nada mais é do que a zona do agrião, termo que o povo consagrou porque é onde o jogo se define, é ali onde acontece. Isso é linguagem popular, criada pelo João Saldanha, que era um gênio da comunicação. Agora o Tite fala e ninguém entende. Linguajar inadequado, vai ter rejeição. Dói os ouvidos. Quando está perdendo, todo mundo presta mais atenção, fica um olhar mais crítico. Vai chegar na Copa América mais desgastado.

UGO GIORGETTI

Colunista do Estado

Não foi esse resultado contra o Panamá que surpreende. É esse crédito que dão ao Tite, sendo que ele não traz novidade alguma. Talvez seja mais amigável, um técnico mais compreensivo com os jogadores, tem trânsito bom no vestiário. Ele é uma boa pessoa e ponto. É um técnico que continua fazendo o mesmo jogo dos anteriores. Defensivista. Ao mesmo tempo só convoca quem está no exterior. Basta estar lá para ser chamado. Não me agrada. Aqui no futebol tem técnico que trabalha por mudanças. No Paulista e no Carioca tem gente mais audaciosa e antenada.

O Tite fala o óbvio com muita simpatia. São entrevistas anódinas, não traz nada de novo. Não estou atacando o Tite. Os corintianos o idolatram. Ele teve conquistas como o Felipão teve no Palmeiras. Sem nenhum inovação. É preciso um técnico que traga algo de novo. Não sei quem escolheria hoje. Mas certamente não seria o Abel, por exemplo. Faria uma oposta. Não pode viver esse tipo de situação de ser subalterno só porque o jogador foi para a Europa. Exagero dizer que o futebol brasileiro é péssimo, que ninguém que joga por aqui presta.

ROBSON MORELLI

Editor e colunista do Estado

Conheço Tite de muito antes do seu trabalho no Corinthians. Depois de ficar fora da Pré-Libertadores diante do Tolima, em 2011, e de ser bancado pelo presidente Andrés Sanchez, Tite se reinventou. De lá para cá, se transformou em um técnico interessante. Mas ele sabia quando assumiu a seleção brasileira que seria diferente de tudo. No Corinthians, ele montava um time para ser competitivo e, quem sabe ganhar títulos. Havia outros postulantes. No Brasil, ele tem de ganhar tudo. E tem mesmo.

Não adianta vir com a conversa de que o importante é competir, essa coisas. No Brasil, não é assim. O que serve para a Alemanha, pode não servir para a seleção brasileira. Aqui, tem de ganhar. Tem de jogar bem. Tem de ficar, no mínimo, em segundo lugar. Tite precisa saber disso. Ele não tem culpa nesse modo de pensar. Isso se dá, principalmente, porque fomos cinco vezes campeões do mundo e poderíamos ter sido em outras três ocasiões, como em 1950, por exemplo. Porque tivemos Pelé, Garrincha, Rivellino, Tostão, Gerson, Sócrates, Caju, Zico, Falcão, Careca, Romário, Ronaldinho, Rivaldo, Ronaldo... e tantos outros.

Tite consegue se dar bem com os jogadores. É querido pelo grupo. Tem em Edu Gaspar um ótimo profissional e que pensa como ele. São educados, atenciosos... Mas isso não basta na seleção. O Brasil precisa jogar bola. É só isso que o torcedor quer. O torcedor quer torcer pela seleção, mas não encontra motivos para isso. E ele é o comandante faz três anos. Ele até chama bons jogadores, mas não tem um time. Depende de Neymar e por isso deixou o jogador abusar no Mundial. Não traz nada de novo em campo. Tudo parece ser na base do individual. Seus jogadores parecem meninos mimados no jeito de falar, de se comunicar, de ver o mundo e a profissão. Dão a impressão de que estão de passagem. Essa coisa de ter de se apresentar na primeira convocação, pagando mico, me parece muito infantil. Fico imaginando o Rivellino fazendo isso em sua primeira convocação.

A seleção precisa se vender com uma entidade séria, de respeito, com objetivos claros. Não sei se ela passa isso hoje em dia. E Tite é o comandante. Isso não quer dizer que o ambiente deve ser chato. Nada disso. Precisa ser equilibrado. O discurso é que o ambiente é perfeito lá dentro, entre eles. Mas não é essa imagem que passa para fora, o que mais interessa. A seleção brasileira não pode ser da CBF, da comissão te Tite e dos jogadores. A seleção é do brasileiro. É para ele que ela deve jogar.  

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