A Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) foi palco, na manhã desta segunda-feira (25), de Audiência Pública para tratar sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2013, que tem como tema “Fraternidade e Juventude” e como lema “Eis-me Aqui, Envia-me”. A autoria do debate foi do deputado José Ricardo Wendling (PT) e contou com a presença do novo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, além de representantes de entidades ligadas à juventude e do poder público, bem como da classe política, como o deputado federal Praciano (PT) e os deputados estaduais Luiz Castro (PPS) e Conceição Sampaio (PP).
O objetivo geral da CF 2013 é de acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz. “Mas também tem o propósito de ser mais um instrumento de pressão para que o poder público tenha uma política efetiva para os jovens”, destacou José Ricardo, informando que os jovens representam um quarto da população brasileira, porém, são os mais atingidos pela violência, já que 70% dos presidiários são joven.
Para ele, o tema juventude deve ser uma prioridade do poder público, que tem uma grande dívida social com essa parcela da população. “Não temos políticas públicas efetivas e específicas voltadas aos jovens. As estruturas existentes são insuficientes para atuar na prevenção, junto às famílias, aos adolescentes e aos jovens”, declarou, ressaltando ainda que deve haver uma articulação com as várias secretarias e esferas do poder público para que as políticas funcionem efetivamente.
“Porque hoje só temos um município com Defensoria Pública, poucos promotores e juízes. E como ficam esses jovens presos? Ficam a mercê do tempo e da sorte”, argumentou o deputado, lembrando que a Aleam pode e deve se articular, por meio das suas várias comissões técnicas, para tentar mudar esse quadro.
De acordo com o arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, a Igreja Católica tem uma grande responsabilidade: ouvir os jovens e as suas necessidades. “E a Campanha da Fraternidade quer olhar de frente para o problema, discutindo e propondo soluções. Também queremos colocar a juventude como protagonista, trabalhando, construindo e se organizando, na busca pelos seus direitos. Porque atrás de cada triste indicador de violência, tem seres humanos, com suas vidas e seus ideais. E é o seguimento de Jesus Cristo que nos motiva a lutar para mudar essa realidade”.
O deputado Praciano explicou o problema da violência juvenil como conseqüência da falta de políticas públicas efetivas para os jovens. “Um Estado onde a população de seus municípios sofre com a falta de defensores públicos; de tomógrafos e de mamógrafos nos hospitais; e pela falta de médicos, sendo vítima de recorrentes casos de Aids, tuberculose, hanseníase e hepatite, com tristes indicadores nacionais. Mais lamentável ainda é saber que 34% das cidades do interior não têm água, e 80% não têm esgoto, com taxas de homicídios maior do que as do Rio de Janeiro. Esta juventude está sofrendo com todas essas mazelas sociais, não tendo esperança porque faltam mais políticas por parte do poder público, principalmente, maior investimento na educação que transforma e que forma bons cidadãos para o mundo”, declarou o parlamentar, reforçando que a falta de recursos públicos também acontece pela alta corrupção e sonegação fiscal.
