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Diretor da OMS diz que resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater surto no Congo

Reuters
Diretor da OMS diz que resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater surto no Congo
Diretor da OMS diz que resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater surto no Congo

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 2 Set (Reuters) - O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou nesta quarta-feira que a resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater o surto na República Democrática do Congo, já que o rastreamento das cadeias de transmissão ainda representa um desafio.

“Até que todas as cadeias sejam identificadas e interrompidas, a epidemia continuará e seguirá representando uma ameaça para a RDC, seus vizinhos e a região como um todo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a repórteres em Genebra.

O número de mortes no surto de Ebola no Congo ultrapassou 3.000, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira, à medida que a pior epidemia do país continua a se espalhar pelo nordeste.

O surto, causado pela cepa Bundibugyo do Ebola, tornou-se o maior e mais letal da história do Congo, superando a epidemia de 2018-2020.

Agora, ele fica atrás apenas do surto da África Ocidental de 2014-2016, que infectou mais de 28.600 pessoas e matou mais de 11.000 na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Mas agora há esperança de possíveis avanços nos tratamentos e na vacinação. A OMS pretende iniciar testes clínicos de eficácia de vacinas potenciais no próximo mês ou em novembro, e os testes de tratamentos já estão em andamento.

É NECESSÁRIO FINANCIAMENTO PARA MAIS LEITOS

No entanto, Tedros afirmou que muitas mortes ocorreram entre pessoas que não constavam da lista de contatos conhecidos.

“Isso significa que existem cadeias de transmissão das quais não temos conhecimento”, disse ele, acrescentando que muitos dos que morreram ainda estavam sendo enterrados de forma insegura, o que está alimentando a transmissão.

Ele instou a comunidade internacional a aumentar e acelerar o financiamento para o plano de resposta ao Ebola liderado pelo governo congolês, que busca US$1,3 bilhão.

Embora a OMS tenha conseguido enviar 320 toneladas de suprimentos e aumentado a capacidade de testagem para 3.000 testes por dia, ela precisa de mais financiamento para ajudar a sustentar sua resposta — inclusive para aumentar a capacidade de leitos nos centros de tratamento do Ebola.

Luca Fontana, oficial técnico de saúde e logística técnica da OMS, afirmou que um centro de tratamento com 1.500 leitos custa US$15 milhões por mês.

“Sabemos que estamos fazendo esse pedido em um momento em que o financiamento para assistência humanitária diminuiu”, disse Tedros. “Mas, como sabemos por surtos anteriores de Ebola, podemos controlar essa epidemia se decidirmos fazê-lo.”

ENSAIOS CLÍNICOS

Mais de 300 pacientes com Ebola foram incluídos em um ensaio clínico envolvendo dois tratamentos, disse Tedros.

Também estão em andamento ensaios com o medicamento antiviral obeldesivir em pessoas consideradas contatos de alto risco de casos de Ebola, para avaliar se ele é eficaz na prevenção da doença após a exposição ao vírus.

Duas novas vacinas contra o vírus Bundibugyo estão em testes de segurança no Reino Unido e no Canadá. Não se sabe se uma vacina aprovada contra o vírus Ebola do Zaire seria eficaz contra o vírus Bundibugyo; por isso, são necessários ensaios clínicos de eficácia, informou a OMS.

“A OMS está trabalhando com parceiros para levar todas as três vacinas aos ensaios de eficácia na RDC, com início em outubro ou novembro”, disse Tedros.

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