Católicas e evangélicas lutam pela descriminalização do aborto: 'hipócritas'

Por Portal do Holanda

08/11/2021 12h14 — em Saúde e Bem-estar

Maria José Rosado explica como doutrinas e normas religiosas moldaram comportamentos e limitaram a vida pública e privada das mulheres. Foto: Reprodução/YouTube

Católicas Pelo Direito de Decidir é uma organização que defende a legalização do aborto, a autonomia da mulher sobre o próprio corpo e os direitos reprodutivos. O movimento, que segue dando bons frutos, completou 27 anos de atividade e em 2021 tem membros em todas as regiões do Brasil.

Além de impulsionar a criação de outros movimentos como a Frente Evangélica pela Legalização do Aborto e é formado por católicas que defendem os direitos reprodutivos e sexuais femininos e acolhem mulheres em situação de vulnerabilidade.

Dados apontam que uma em cada cinco mulheres brasileiras de até 40 anos já fez um aborto, um total de 2,5 milhões de católicas entre 18 e 39 anos.

"Ser pecadora para uma mulher de fé é muito grave, significa que ela está desligada de Deus. Nós dizemos que não houve pecado. O último recurso para tomar uma decisão dolorosa como essa é a sua própria consciência", disse.

Ex-freira, hoje professora de sociologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maria José Rosado, contou à Universa sua experiência à frente do movimento. Em 1976, realizava a Novena de Natal com as mulheres prostitutas da cidade.

"A marginalização das mulheres me incomoda muito. Eu as admiro e respeito. Elas devem ser respeitadas na sua dignidade como cidadãs. São as Genis a quem a sociedade apedreja e depois usa em discursos moralistas e hipócritas".

Maria José foi indicada ao premio Nobel da Paz em 2005, e professora convidada em Harvard. Ela explica que o seu percurso acadêmico se deve muito à teologia feminista, pois a religião seria uma criação dos homens para as mulheres seguirem. "Você vai a um templo e encontra homens que ditam as regras e normas e estabelecem uma compreensão e disciplina".

A teóloga esclarece que não defende a interrupção da da gravidez de forma indiscriminada, como se fosse um método anticoncepcional. "É uma experiência duríssima, apenas quem não têm sensibilidade não percebe o quanto o aborto é uma decisão extremamente dolorosa e penosa para muitas mulheres, além de ser uma questão de saúde pública, de salvar a vida de uma menina, mulher ou mãe", completou.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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