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Pó de brita vendido como cassiterita expôs esquema que teria ligação com Alexandre Pires, diz PF

Grupo teria trocado minério por areia e brita com laudos falsos em armazéns de Manaus, causando prejuízo de US$ 48 milhões a empresa suíça

Pó de brita vendido como cassiterita expôs esquema que teria ligação com Alexandre Pires, diz PF
Cantor Alexandre Pires foi alvo de operação da Polícia Federal que apura comércio ilegal de cassiterita (Foto: Reprodução/Estadão)

Uma carga de areia e pó de brita vendida como se fosse cassiterita foi o ponto de partida para a Polícia Federal chegar ao esquema investigado na segunda fase da Operação Disco de Ouro, que teve como um dos alvos o cantor Alexandre Pires. A apuração mira a extração e o comércio ilegal do minério retirado da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e o núcleo financeiro que movimentaria os recursos do garimpo.

De acordo com os investigadores, depois que mais de 100 toneladas de cassiterita foram apreendidas em ações anteriores, o grupo teria ficado sem estoque para cumprir contratos firmados com uma empresa suíça, que já havia feito pagamentos antecipados. Para manter o negócio, os suspeitos supostamente montaram uma encenação em armazéns de Manaus, substituindo o minério por areia e brita acompanhadas de laudos químicos falsificados. O prejuízo causado aos compradores é estimado em US$ 48 milhões, cerca de R$ 247 milhões. Licenças garimpeiras de Itaituba, no Pará, teriam sido usadas para disfarçar a origem do material.

A PF identificou um fluxo financeiro cruzado de R$ 31 milhões entre os investigados. Desse total, cerca de R$ 4,4 milhões teriam passado por contas do cantor e de sua produtora, sediada em Uberlândia (MG). Também são investigados os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon, que foi empresário de Alexandre Pires. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 medidas de sequestro de bens e valores, sem pedidos de prisão nesta fase.

A defesa do artista, feita pelo advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, afirma que Alexandre Pires nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena, e que foi surpreendido pela operação. Segundo o advogado, a relação com Matheus Possebon se limitava à intermediação de shows.

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