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PF volta a investigar Rogério Andrade por suspeita de exploração de caça-níqueis

RIO - Investigado por policiais federais sob a suspeita de continuar à frente da exploração de caça-níqueis no estado, Rogério Andrade terá que comparecer na próxima semana, na véspera do Carnaval, na Polícia Federal do Rio para prestar depoimento. Patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, que foi declarada ano passado campeã do Grupo Especial do carnaval carioca ao lado da Portela, Rogério será ouvido pelo delegado Fábio Scliar, da Delegacia Fazendária. O inquérito foi instaurado por determinação da Justiça Federal e há mais 30 pessoas intimadas para prestarem esclarecimentos, incluindo Rinaldo e Reinaldo Andrade, irmãos de Rogério. Procurado nesta sexta-feira, o delegado disse que não iria comentar.

Desde o ano passado, Rogério Andrade é investigado pelos policiais federais de outra unidade, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Decor), suspeito de lavar dinheiro da contravenção usando a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel e um conjunto de empresas. Por decisão da Justiça Federal, ele teve seus bens sequestrados e as contas bancárias bloqueadas. A decisão foi motivada por pedido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no curso da investigação que apontou que o bicheiro apresentou movimentação financeira atípica.

Em oito anos (entre 2007 e 2014), segundo os policiais federais, circularam por suas contas cerca de R$ 27,3 milhões, embora o contraventor tenha declarado em seu Imposto de Renda que recebia R$ 36 mil por mês como diretor administrativo da empresa Rai Holding Participações Societárias Ltda, que funciona na Barra da Tijuca, registrada em seu nome e do seu filho, Gustavo de Andrade e Silva. No relatório que pede à Justiça Federal o sequestro de bens e bloqueio de contas usadas por Rogério Andrade, a Polícia Federal afirma que as sete empresas ligadas ao contraventor foram constituídas apenas “para ocultar e dissimular a origem de ativos obtidos ilicitamente, cuja origem principal é a exploração da infração penal do jogo do bicho”. O caso é investigado pelo delegado Samuel de Oliveira Gonçalves.

O dinheiro para irrigar as contas da Mocidade Independente de Padre Miguel teria saído de uma complexa engenharia que, segundo a Polícia Federal, envolve seis empresas abertas por Andrade. Investigadores passaram a rastrear suas atividades depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a unidade de inteligência do governo brasileiro que apura crimes de ordem econômica, identificou movimentações de grandes valores entre contas das companhias.

De acordo com investigadores, Andrade fez movimentações financeiras não compatíveis com seus vencimentos. Para a Polícia Federal, isso evidencia que ele vem atuando em atividades ilegais. Em oito anos - entre 2007 e 2014 -, circularam por contas de Andrade R$ 27,3 milhões, embora ele tenha declarado que, no período, recebia R$ 36 mil por mês trabalhando como diretor administrativo da Rai Holding Participações Societárias Ltda. A empresa está registrada no nome dele e de seu filho Gustavo de Andrade e Silva. Dentro de alguns dias, Andrade deverá ser chamado para prestar esclarecimentos.

Para a Polícia Federal, considerando os vencimentos declarados por Andrade, sua movimentação no período investigado só poderia chegar a R$ 3,4 milhões, pouco mais de 10% do que efetivamente circulou em suas contas bancárias. "Há fortes indícios de que Rogério Costa de Andrade e Silva continua cometendo as mesmas infrações penais pelos quais fora acusado na Justiça Federal do Rio, principalmente a contravenção do jogo do bicho, a exploração e o contrabando de máquinas eletrônicas programáveis (caça-níqueis) e, persistentemente, a lavagem de dinheiro", escreveu o delegado Samuel de Oliveira Gonçalves, da Polícia Federal, em um trecho de um relatório de nove páginas com carimbo de "confidencial" enviado à 3ª Vara Federal do Rio.

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