O Estadão tentou contato com o parlamentar, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço está aberto para manifestações.
O deputado foi condenado por promover a própria candidatura na emissora de rádio evangélica na qual é sócio, diretor e apresentador, a Rádio Melodia, divulgando eventos de música gospel com presença de cantores famosos desse gênero, em eventos semelhantes a "showmícios". A divulgação alcançou 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais.
Silva esteve presente em dois deles, um na zona oeste da capital fluminense, e outro em Itaguaí, município da região metropolitana, há um mês das eleições. Nos eventos, o deputado teria distribuído material de campanha e feito discurso político.
Para os magistrados, o "desvirtuamento de santuário e apropriação como espaço privado de autoridade e influência eleitoral" comprovam o abuso de poder, uma vez que o evento teve investimentos econômicos elevados e foi bastante repercutido, o que provocou desequilíbrio na disputa eleitoral.
Na decisão, ainda há destaque para o fato de Silva ter divulgado fake news sobre um suposto projeto de lei para proibir a "pregação do evangelho".
Além da perda do mandato, a decisão da Corte deixa o deputado inelegível até 2030. Ele poderá recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Silva, que está em seu sexto mandato na Alerj, já esteve envolvido em outras polêmicas relacionadas à religião. Em 2015, um projeto proposto por ele previa pagamento de multa de R$ 270 mil para quem fizesse sátira com símbolos religiosos. O projeto foi arquivado pela Casa. Ele também já propôs a criação do "Dia do Orgulho Hétero" e de outro projeto, aprovado na Alerj, que estabelece prioridade para igrejas na tramitação de processos judiciais e administrativos.

