Toffoli aponta demora da PF em operação sobre Master e exige explicações do diretor-geral
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 14 Jan (Reuters) - O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou uma suposta demora da Polícia Federal em deflagrar a nova fase da operação envolvendo o Banco Master e exigiu explicações do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, sobre o fato de não ter cumprido no tempo estabelecido a ordem para promover a ação policial desta quarta-feira.
O comentário de Toffoli consta na decisão que ordenou os pedidos de busca e apreensão contra o empresário Nelson Tanure e de busca e prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, relativo à nova fase da investigação sobre o Master.
Nesse despacho, que foi divulgado pelo STF, Toffoli citou que o pedido de medidas cautelares feito pela PF foi apresentado no dia 6 de janeiro e autorizado por ele no dia 7 de janeiro.
O prazo de cumprimento, conforme Toffoli, era de 24 horas a partir do dia 12 de janeiro, "diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos".
Entretanto, o ministro do STF disse que "causa espécie" o fato de ter havido descumprimento do prazo das medidas cautelares ordenadas e a falta de empenho de cumprir a ordem porque a PF teve vários dias para preparar a operação. Tudo isso, destacou, "poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas".
O magistrado citou que a PF só decidiu adotar novas providências urgentes para a operação na terça-feira à noite.
"Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12.01.2026, que determinou a deflagração da presente fase no prazo de 24 horas (e-doc. nº 56, assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial", destacou o ministro do STF, no despacho.
Toffoli determinou que o chefe da PF explicasse a situação em até 24 horas.
Na decisão, o ministro do STF ordenou ainda que todos os materiais e bens apreendidos na operação desta quarta sejam lacrados e acautelados para serem diretamente encaminhados ao Supremo.
Em nota divulgada pelo gabinete no início da noite, Toffoli disse que, diante do fato de que os materiais ainda não tinham sido encaminhado ao Supremo, ele esclareceu que para "a custódia dos aparelhos e seus respectivos materiais telemáticos impõem-se que as autoridades custodiantes os mantenham eletricamente carregados e em modo desacoplado das redes telefônicas e de wi-fi".
Segundo o comunicado, isso ocorre para "a devida preservação de seu conteúdo e oportuna extração e periciamento pela autoridade encarregada. "Essa responsabilidade é dos executores da ordem proferida", destacou ele, referindo-se à polícia.
EXPLICAÇÕES DA PF
Procurada pela Reuters mais cedo, a PF havia informado que o diretor-geral da corporação já havia apresentado suas explicações para Toffoli sobre o tempo para a deflagração da operação.
Reservadamente, uma fonte da PF que acompanha o caso de perto disse ser impossível deflagrar uma operação desse tamanho em apenas 24 horas. Segundo essa fonte, a PF havia recebido uma primeira autorização para deflagrar a operação, mas, diante da necessidade de diligências complementares, pediu a inclusão de novos alvos e por isso a ação só saiu nesta quarta.
A fonte contou ainda preocupação com o fato de que Toffoli determinou o envio do material apreendido na operação lacrado diretamente para o Supremo, e não para análise da PF, o que é praxe. Há receio que isso possa atrasar no avanço das apurações.
(Edição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)
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