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STF forma maioria para tributar lucros da Vale em empresas controladas no exterior

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STF forma maioria para tributar lucros da Vale em empresas controladas no exterior
STF forma maioria para tributar lucros da Vale em empresas controladas no exterior

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 27 Ago (Reuters) - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) formaram maioria favorável a tributar lucros obtidos pela Vale no exterior, em julgamento virtual que começou na semana passada e vai até esta sexta-feira.

Até o momento, o julgamento está com seis votos a quatro a favor da possibilidade de incidência de IRPJ e CSLL sobre os lucros das controladas da empresa brasileira fora do país.

A posição majoritária foi firmada a partir do voto divergente do ministro Gilmar Mendes. Ele se manifestou a favor do recurso apresentado pela União para se "reconhecer a possibilidade de computar como acréscimo patrimonial positivo da recorrida os lucros auferidos por suas empresas controladas com sede na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo".

No voto, Mendes se valeu de um precedente anterior da própria Corte a favor da tributação de lucros de empresas controladas e coligadas no exterior em locais que não eram considerados paraísos fiscais.

"Dessa forma, aplicando o que decidido pelo Plenário desta Corte no RE 541.090, entendo que o caso é de reconhecer a possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL sobre o lucro da controladora obtido por intermédio de empresas controladas situadas no exterior", destacou ele, no voto.

A Vale não quis comentar o assunto. Procuradas, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional não responderam de imediato a pedido de comentário.

O caso envolvendo a Vale chegou ao Supremo em março de 2015 e gerou muita discussão no âmbito empresarial. Uma nota técnica da Receita Federal de fevereiro de 2023, citada por Mendes em seu voto, apontou na ocasião que o "impacto econômico-financeiro da matéria ora em julgamento é da ordem de R$142,5 bilhões, levando em consideração os anos de 2017 a 2021, e de R$28,5 bilhões anuais futuros".

O julgamento vai até esta sexta-feira e até lá os ministros podem alterar seus votos ou mesmo pedir destaque para que o caso seja examinado em plenário.

A composição atual do STF está com 10 ministros porque ainda não foi preenchida a vaga aberta com a aposentadoria do ex-presidente do tribunal Luís Roberto Barroso.

(Edição de Roberto Samora)

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