Solução para Venezuela não passa pela criação de um protetorado no país, diz Brasil na ONU
Por Lisandra Paraguassu
5 Jan (Reuters) - Em manifestação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo brasileiro subiu o tom contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e, ainda que sem mencionar diretamente o governo de Donald Trump, declarou que a solução para o país vizinho não passa pela "criação de protetorados".
"O Brasil não acredita que a solução para a Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano", discursou o representante do Brasil na ONU, embaixador Sérgio Danese.
A crítica é uma resposta direta à fala de Trump de que os EUA pretendem "administrar" a Venezuela.
O discurso de Danese seguiu a linha da nota assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada ainda no sábado, ao afirmar que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável".
"Esses atos são uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e abrem um precedente perigoso para toda comunidade internacional", disse Danese.
"As normas que regem as relações entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra índole. Não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifiquem o uso da força ou a mudança ilegal de um governo", continuou o embaixador.
Em entrevista no sábado à tarde, depois do ataque, Trump deixou claro que os Estados Unidos pretendem administrar a exploração de petróleo na Venezuela, e esse seria o maior interesse norte-americano no país. A reserva venezuelana é hoje a maior do mundo.
A ordem no governo brasileiro é seguir o tom da nota de Lula, reforçando a questão do ataque à soberania de um país, algo a que o presidente se referiu constantemente em conversas com Trump ao tratar das questões brasileiras, como a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
"Não é diferente do discurso que o presidente sempre fez", disse uma fonte.
O Brasil não faz parte, nesse momento, do Conselho de Segurança da ONU -- que, além dos cinco membros permanentes, tem 10 membros rotativos com mandatos de dois anos -- mas pediu para se manifestar na sessão aberta chamada para esta segunda-feira.
(Por Lisandra Paraguassu, em Brasília)
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