Compartilhe este texto

Solução para Venezuela não passa pela criação de um protetorado no país, diz Brasil na ONU

Por Reuters

05/01/2026 15h10 — em
Política



Por Lisandra Paraguassu

5 Jan (Reuters) - Em manifestação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo brasileiro subiu o tom contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e, ainda que sem mencionar diretamente o governo de Donald Trump, declarou que a solução para o país vizinho não passa pela "criação de protetorados".

"O Brasil não acredita que a solução para a Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano", discursou o representante do Brasil na ONU, embaixador Sérgio Danese.

A crítica é uma resposta direta à fala de Trump de que os EUA pretendem "administrar" a Venezuela.

O discurso de Danese seguiu a linha da nota assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada ainda no sábado, ao afirmar que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável".

"Esses atos são uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e abrem um precedente perigoso para toda comunidade internacional", disse Danese.

"As normas que regem as relações entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra índole. Não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifiquem o uso da força ou a mudança ilegal de um governo", continuou o embaixador.

Em entrevista no sábado à tarde, depois do ataque, Trump deixou claro que os Estados Unidos pretendem administrar a exploração de petróleo na Venezuela, e esse seria o maior interesse norte-americano no país. A reserva venezuelana é hoje a maior do mundo.

A ordem no governo brasileiro é seguir o tom da nota de Lula, reforçando a questão do ataque à soberania de um país, algo a que o presidente se referiu constantemente em conversas com Trump ao tratar das questões brasileiras, como a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

"Não é diferente do discurso que o presidente sempre fez", disse uma fonte.

O Brasil não faz parte, nesse momento, do Conselho de Segurança da ONU -- que, além dos cinco membros permanentes, tem 10 membros rotativos com mandatos de dois anos -- mas pediu para se manifestar na sessão aberta chamada para esta segunda-feira.

(Por Lisandra Paraguassu, em Brasília)


Siga-nos no
O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

ASSUNTOS: Política

+ Política