Moro hoje refuta que Dias tenha sido seu padrinho político. A pessoas próximas, disse ter se sentido traído pelo senador, ferrenho apoiador da Lava Jato, operação que projetou o ex-juiz federal - em debate entre os presidenciáveis, em 2018, o senador prometeu que, caso vencesse, nomearia Moro, então juiz, como ministro da Justiça, o que acabou ocorrendo pelas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Fontes ouvidas pelo Estadão afirmam que a relação entre os dois começou a azedar quando Moro aceitou se filiar ao Podemos, em novembro de 2021. Um interlocutor de Dias conta que o senador não achava que Moro aceitaria o convite do Podemos. Na ocasião, dizem aliados, o senador se mostrou "enciumado" pelo fato de o ex-ministro de Bolsonaro chegar como o nome favorito ao Palácio do Planalto para a terceira via. Na época, ele era apontado como candidato natural do Podemos à Presidência e se queixou a aliados que sequer foi consultado por Moro sobre a candidatura.
Quem acompanhou a negociação para a entrada do ex-juiz ao Podemos afirma que o convite teria partido de outro senador do partido no Paraná, Oriovisto Guimarães. No entanto, passado o mal-estar inicial, Dias foi aconselhado por colegas de partido a "se apropriar" da filiação de Moro como uma conquista dele - forma como sempre se pronunciou sobre o assunto publicamente.
Em dado momento, o senador disse que, caso a tentativa de Moro de ser candidato à Presidência não desse certo, ele abriria mão da vaga ao Senado para o ex-juiz.
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