"Do ponto de vista do objetivo que todos nós estamos perseguindo, foi um gesto de grandeza e que facilitou a unidade da chamada terceira via", disse Freire.
Na avaliação do dirigente partidário, o PSDB e o Cidadania devem avançar agora nas tratativas para se unir em torno do nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como candidata à sucessão do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Freire avalia que ainda é cedo para dizer qual papel Doria terá na campanha da terceira via e afirma que o próprio ex-governador precisa dizer o que fará a partir de agora. O Cidadania decidiu formar com o PSDB uma federação partidária, que cria uma "fusão temporária" entre as legendas por pelo menos quatro anos, desde as eleições até o final do mandato seguinte. Esse arranjo pressupõe candidatura única a cargos majoritários como o de presidente e o de governador.
Doria venceu as prévias do PSDB em novembro, contra o também ex-governador Eduardo Leite, mas não conseguiu unir o partido em torno de seu nome. Primeiro, houve um movimento para ignorar o resultado das prévias e lançar Leite no lugar de Doria. O gaúcho chegou a ensaiar uma pré-campanha paralela.
No final, Leite abriu mão da disputa e apoiou Doria. Mesmo assim, o ex-governador de São Paulo continuou a enfrentar resistências dentro do próprio partido. Com a probabilidade de a alta rejeição de Doria acabar contaminando a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo de São Paulo, o partido passou a pressionar para que ele abrisse mão de concorrer ao Palácio do Planalto em benefício de Tebet.

