Reprovação de Bolsonaro supera a de seus principais ministros, mostra Datafolha

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

17/09/2021 19h35 — em Política

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, enfrenta desgastes na avaliação de seu trabalho pela população, mas suas taxas de aprovação são superiores às obtidas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Outros ministros que tiveram a avaliação pesquisada pelo Datafolha também não obtiveram resultados muito positivos, mas ainda assim não enfrentam a rejeição superior a 50% que afeta o presidente. Os dados consideram apenas o recorte dos entrevistados que dizem conhecer os ministros citados.

Guedes, fiador de Bolsonaro junto ao empresariado desde a campanha eleitoral de 2018, tem avaliação considerada ótima ou boa para 23% dos entrevistados, dentro do segmento que o conhece.

Segundo o levantamento, 84% disseram saber quem é o ministro da Economia. Entre quem o conhece, 39% consideram seu trabalho regular, e 34% o avaliam como ruim ou péssimo.

O Datafolha ouviu 3.667 pessoas entre segunda-feira (13) e quarta (15). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ministro da Economia se vê diante de uma crescente desconfiança do empresariado e do mercado sobre o futuro do governo Bolsonaro, em meio a notícias negativas na área econômica e à crise institucional simbolizada nos atos de raiz golpista do 7 de Setembro.

No início deste mês, Guedes afirmou que o segundo trimestre do ano foi "mais trágico", ao comentar o recuo de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na pesquisa anterior sobre o conhecimento e avaliação do ministro da Economia, no fim de 2019, antes da pandemia do coronavírus, 80% disseram que o conheciam. A avaliação do ministro era bem melhor --39% de ótimo ou bom e 23% de ruim ou péssimo.

Hoje, segundo o Datafolha, a avaliação positiva de Guedes é mais elevada entre os entrevistados de maior poder aquisitvo. Entre aqueles que têm renda familiar de cinco a dez salários mínimos e conhecem o ministro, 33% avaliam o trabalho como ótimo ou bom. Na faixa acima de dez salários mínimos, a taxa sobe para 43%.

No recorte regional, a avaliação de Guedes é melhor no Sul do que no Nordeste.

Entre os entrevistados que dizem ver "muita chance" de um golpe de Estado no Brasil, só 12% acham o trabalho de Guedes bom ou ótimo.

Na pesquisa geral, 53% classificam o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo, ante 22% que o avaliam como ótimo ou bom.

O Datafolha também questionou os entrevistados a respeito do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que está no cargo desde março. Disseram que o conhecem 62% dos entrevistados e, desses, 34% acham seu trabalho ruim ou péssimo. Para 26%, a avaliação é ótima ou boa, e 37% a consideram regular.

As taxas obtidas por Queiroga refletem a avaliação negativa mostrada pelo Datafolha em outro item da pesquisa, sobre a resposta do governo Bolsonaro à crise sanitária. Nesse questionamento, a taxa de ruim ou péssimo foi de 54%.

O ministro assumiu o cargo após a demissão de Eduardo Pazuello, general da ativa que hoje é investigado por falhas na atuação na pandemia.

Queiroga começou sob a expectativa de se distanciar mais das ordens de Bolsonaro na Saúde, mas tem se alinhado ao presidente, por exemplo, na crítica ao uso de máscaras.

Em relação ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, disseram conhecê-lo 44% dos entrevistados.

Ribeiro está no posto desde o ano passado, quando deixou a pasta Abraham Weintraub, que ficou conhecido por xingar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e por declarações em redes sociais, como uma em que ironizou a China.

Entre os entrevistados que conhecem o atual ministro da Educação, 26% consideram seu trabalho ótimo ou bom. Para 33%, a gestão é ruim ou péssima, e 38% a consideram regular.

No segmento dos mais jovens, sua aprovação tende a cair. Entre entrevistados com idade de 16 a 24 anos que o conhecem, 20% consideram seu trabalho ótimo ou bom. Na faixa dos 25 aos 34 anos, o índice é de 22%.

Ribeiro foi alvo recentemente de críticas por afirmar que "é impossível a convivência" na escola com crianças com deficiência elevada.

O Datafolha também pesquisou o conhecimento e a avaliação do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite, que está no cargo há três meses.

Disseram conhecê-lo 36% dos entrevistados. Desses, 26% acham sua gestão ótima ou boa. Classificaram o trabalho de ruim ou péssimo 35%, e outros 34% disseram achá-lo regular.

O ministro tem tido até agora uma atuação mais discreta do que a de seu antecessor, Ricardo Salles, que provocou reações até internacionais por sua agenda antiambiental e enquadrada ao bolsonarismo. Salles deixou o posto um mês após ser alvo de uma operação da Polícia Federal sobre suposto esquema de exportação de madeira ilegal.


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