BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema irregular de descontos não autorizados por aposentados e pensionistas.
A detenção de Stefanutto, que dirigiu o órgão entre junho de 2023 e abril de 2025, foi noticiada inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pela Reuters com duas fontes da PF com conhecimento do caso.
A nova fase da Operação Sem Desconto, uma ação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares diversas da prisão em 13 Estados e no Distrito Federal, segundo comunicado da polícia.
"Estão sendo investigados os crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial", disse a PF.
A Reuters não conseguiu localizar representantes de Stefanutto. Procurado, o INSS não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Em setembro, a PF já havia prendido um suspeito de articular o esquema de cobranças indevidas a aposentados do INSS. As investigações indicam que esse suspeito movimentou R$12,2 milhões em contas bancárias em pouco mais de quatro meses.
O escândalo das cobranças não autorizadas levou à queda do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, e à abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.
(Reportagem de Ricardo Brito)

