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PF faz busca e apreensão contra Vorcaro e Tanure em nova operação sobre Master

Por Reuters

14/01/2026 13h56 — em
Política



Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 14 Jan (Reuters) - A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quarta-feira mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao empresário Nelson Tanure em nova fase da operação sobre fraudes no Banco Master, segundo decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação também estabeleceu medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$5,7 bilhões, de acordo com um comunicado da PF.

Conforme a decisão divulgada pelo STF e fontes da PF com conhecimento do caso, parentes de Vorcaro e o sócio-fundador do grupo financeiro Reag, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos da operação.

Por ordem de Toffoli, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi preso temporariamente com o fim de resguardar o sigilo da operação deflagrada nesta quarta, segundo uma das fontes.

Em nota, a defesa de Vorcaro informou que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o cliente "tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes".

"Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. O senhor Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais", acrescentou a nota.

Vorcaro chegou a ser preso preventivamente em ação da PF em novembro, na época em que o Master foi alvo de uma liquidação extrajudicial pelo Banco Central, mas posteriormente foi colocado em liberdade e permanece com outras medidas restritivas como o uso de tornozeleira.

A defesa de Tanure disse que não tem qualquer relação societária com o Master, do qual foi cliente nos últimos anos. "A única medida que lhe foi imposta se resumiu à apreensão de seu aparelho de telefone celular, de modo que com isso o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação", afirmou.

Nos documentos sobre a operação desta quarta tornados públicos pelo Supremo não há maiores detalhes sobre as medidas requisitadas pela PF que fundamentaram a operação. Em um deles, Toffoli chega a apontar demora da polícia em deflagrar a nova fase da operação sobre o Master e exigiu explicações do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, em até 24 horas.

A PF informou no início da tarde que o diretor-geral da corporação já apresentou suas explicações sobre a decisão de deflagrar a nova fase da operação sobre o Master nesta quarta ao ministro do STF.

Em nota, sem citar nomes, a PF disse que a segunda fase da Operação Compliance Zero tem por objetivo apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

"Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão (São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro), expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$5,7 bilhões", disse o comunicado.

Segundo a nota, as medidas judiciais visam interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações.

Em imagens divulgadas pela PF sobre as buscas realizadas, consta a apreensão de dinheiro em espécie, carros e relógios de luxo, celulares, documentos e ao menos um revólver.

(Reportagem adicional de Luciana Magalhães e Marcela AyresEdição de Camila Moreira, Eduardo Simões e Pedro Fonseca)


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