SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A defesa de Paulo Marinho apresentará um requerimento nesta quinta para que o Ministério Publico Federal investigue eventual devassa que estaria sendo feita nas contas bancárias dele em represália à entrevista que o empresário concedeu ao jornal Folha de S.Paulo, publicada no domingo (17). A informação de que contas dele estariam sendo verificadas pelo Banco Central circulava desde a quarta (20). A reportagem chegou a pedir um posicionamento à instituição. Nesta quinta (21), o site O Antagonista publicou que "alguém poderoso em Brasília está demandando informalmente dados bancários" de Marinho. "Ficamos impressionados", diz o advogado Flávio Mirza, que representa o empresário e apresentará o pedido de investigação. O Banco Central enviou a seguinte resposta à reportagem: O BC não comenta caso específico. Cabe informar que, por vezes, a Justiça comanda tais pesquisas via BacenJud, um sistema eletrônico automatizado à disposição do Poder Judiciário. Nesses casos, as ordens de pesquisa e as respectivas respostas transitam no sistema sem a interferência ou o conhecimento do BC". Marinho vai depor nesta quinta no MPF sobre as afirmações que fez à Folha de S.Paulo, de que um delegado da Polícia Federal vazou informações privilegiadas ao senador Flávio Bolsonaro sobre investigações que alcançariam Fabrício Queiroz, ex-assessor do gabinete dele quando exercia o mandato de deputado estadual. Segundo Marinho, o próprio Flávio relatou a ele que, durante o segundo turno da eleição presidencial de 2018, enviou emissários à Superintendência da PF no Rio de Janeiro para se encontrar com o delegado-informante. Pouco depois do encontro, Queiroz e a filha dele, Nathalia, foram demitidos o pai, do gabinete de Flávio. E a filha, do gabinete de Jair Bolsonaro, que ainda era deputado federal. Marinho depôs na quarta na própria PF, em um inquérito aberto para investigar o vazamento.