De acordo com relatos de outros prefeitos ouvidos pelo Estadão , a abordagem era feita na hora do almoço. Pinheiro afirmou que ele e a mulher almoçavam na companhia de Gilmar, quando Arilton se aproximou, depois de ter passado por outras mesas. "Sentou do meu lado, em um dos lados da mesa, e falou: 'Olha, prefeito, eu vou ser direto com você. Tem lá um recurso para liberar com ministro, mas eu preciso de R$15 mil hoje'", disse. "O discurso dele que me deixou mais chateado foi: 'Eu preciso desse pagamento hoje, porque vocês, políticos, não têm palavra, vocês não cumprem com o que prometem. Depois eu coloco o recurso lá e você nem me paga'."
'Amigo do ministro'
Nesse momento, segundo o prefeito, o pastor propôs um desconto de 50% na propina. Pinheiro disse que Gilmar apoiou o pedido, ao falar que Arilton era "amigo do ministro". Ainda segundo o prefeito, Arilton propôs uma contribuição para a igreja e a compra de bíblias editadas pela gráfica de Gilmar. "Se você quiser contribuir com a minha igreja, faz uma oferta. Você vai comprar mil bíblias, no valor de R$ 50, e vai distribuir na sua cidade", declarou o pastor, segundo o prefeito. "Fazendo isso, você vai me ajudar a conseguir recurso para você no ministério."
O prefeito relatou ter ficado "indignado" com a situação. "O cara está sentado do lado do ministro, um à direita, o outro à esquerda. Saem da reunião e vêm com essa conversa? A vontade que eu tive ali foi de mandar ele para o quinto dos infernos", afirmou Pinheiro.
Escola
O prefeito de Boa Esperança do Sul (SP), José Manoel de Souza (PP), disse que o pedido de R$ 40 mil envolvia a construção de uma escola profissionalizante como contrapartida. De acordo com ele, o pedido foi negado e a cidade não teve ajuda com verba do Ministério da Educação em projetos do município.
Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura já negaram a cobrança de qualquer contrapartida pelo acesso ao MEC e ao ministro Milton Ribeiro. O titular da Educação disse que não houve favorecimento de municípios indicados pelos religiosos e que a liberação de recursos da pasta obedece a critérios técnicos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



