"Um cálice de veneno foi dado ao povo, mas (o governo) está tentando mostrar como uma bebida doce por meio da manipulação da mídia", disse Rasaei.
"Nós devemos dizer às pessoas o que perderam e o que ganharam com o acordo", disse Hosseinian. "É praticamente pisotear os direitos de enriquecimento (de urânio) do Irã. Essas restrições indicam que caminhamos para uma auto paralisação nesse setor", complementou.
A maioria dos parlamentares apoiou o acordo, destacando a redução das sanções atuais impostas pelas potências mundiais e o impedimento de novos bloqueios políticos e econômicos.
Na madrugada de domingo, o Irã chegou a um histórico acerto temporário com as seis potências globais (EUA, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha) conhecidas como P5+1. O país do Oriente Médio se comprometeu, durante os próximos seis meses, a não enriquecer urânio a mais de 5% e a neutralizar todo seu estoque de urânio enriquecido a quase 20%, patamar acima do qual o combustível pode ser usado na produção de armas nucleares. Os iranianos também serão submetidos à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em contrapartida, o P5+1 se comprometeu a suspender os bloqueios sobre o ouro e metais preciosos, setor automobilístico e às exportações petroquímicas do país, o que fornecerá cerca de US$ 1,5 bilhão em receita potencial aos iranianos. Também permitirão que US$ 4,2 bilhões das vendas de petróleo possam ser transferidas em parcelas ao governo do país.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei - que tem a palavra final sobre todas as questões de Estado -, tem apoiado publicamente as negociações sobre o programa nuclear do país. No entanto, ele não discordou da posição dos parlamentares que criticaram o acordo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou que o acordo ajudou na redução das sanções e impede que a Organização das Nações Unidas (ONU) e as potências mundiais possam impor novos bloqueios ao país. O acordo, segundo ele, também prevê futuros alívios no setor comercial em troca da redução do seu programa de enriquecimento.
A base aliada do governo saudou Zarif como "embaixador da paz", considerando as negociações como uma vitória diplomática para o Irã. Também consideraram a reação de ira do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como um triunfo para o país. Netanyahu classificou o acordo de um "erro histórico", o que faz do mundo "um lugar muito mais perigoso". Ele acrescentou que Israel não está vinculado a qualquer decisão tomada.
Israel acredita que o Irã está tentando desenvolver uma bomba nuclear. Netanyahu tem expressado ceticismo sobre a posição moderada do presidente iraniano, Hassan Rouhani, a quem chamou de "lobo em pele de cordeiro".

