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Nunes se queixa de polarização e pichação pró-Boulos e recebe críticas e apoios ao visitar obra

Por Folha de São Paulo

29/02/2024 15h00 — em
Política



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Ricardo Nunes (MDB) estava no parque Ibirapuera, na manhã desta quinta-feira (29), anunciando o início da obra de restauro da marquise, em meio a secretários e jornalistas, quando um dos auxiliares lhe mostrou no celular fotos de tapumes com pichações a favor de Guilherme Boulos (PSOL).

Os tapumes eram de uma obra de drenagem da prefeitura no bairro da Saúde, local para onde Nunes iria em seguida fazer uma vistoria —cumprindo o cronograma do programa Prefeitura Presente, em que o emedebista visita obras e faz inaugurações em um determinado bairro às quintas-feiras.

Logo se formou uma rodinha de secretários em torno do celular com as fotos. Havia ainda um vídeo de um homem chutando os novos tapumes colocados às pressas pela equipe da prefeitura, que logo substituiu aqueles pichados, para que Nunes não aparecesse ao lado da mensagem "Boulos prefeito".

"Olha o que eu vou ter que enfrentar", comentou Nunes. "Isso é depredação de obra pública", emendou Edson Aparecido (Governo). "Tem que levar pra polícia", opinou Fabrício Cobra (Casa Civil).

Chegando ao local da obra, houve bate-boca do prefeito com moradores pró-Boulos —e também entre moradores favoráveis e contrários a Nunes.

Enrolada em uma bandeira do presidente Lula (PT), que apoia Boulos, uma moradora reclamava com Nunes que o buraco da obra em frente a sua casa não tinha tapumes ou outra proteção, o que colocava em risco sua filha autista. Segundo ela, uma idosa e um cachorro já tinham se machucado na obra.

Na casa dela, a porta trazia um adesivo de Lula e havia uma música em volume alto.

"Estou vendo que vocês estão de jogo político", rebateu Nunes, garantindo que os aparatos de segurança não foram colocados na obra só para sua visita, como acusava a moradora, e que havia registros disso.

Outro morador entrou na discussão para defender o prefeito: "Odeio político, mas olha que beleza. Ele está aqui fiscalizando a obra. Meu voto é do senhor".

Síndicos dos prédios também elogiavam Nunes pela instalação na nova tubulação, que promete acabar com as enchentes no local.

Quem também estava ali era o cineasta Jorge Dayeh, o homem filmado mais cedo chutando os tapumes e que era morador da casa pró-PT. Ao passar por ele, Nunes provocou: "Está mais calmo?".

Dayeh se juntou à mulher na discussão com Nunes. "Quatro meses depois, vocês vêm pôr o tapume porque o prefeito vai passar aqui. Vamos concordar que isso é uma política antiga. Não é bandeira política, é pela segurança", argumentou.

Nunes o acusou de pichar os tapumes, o que ele negou, e depois disse que tinha vídeos dele chutando o local. Auxiliares do prefeito o aconselharam a não entrar na pilha e apontaram que os moradores não tinham provas da falta de tapumes antes.

"Como que não fica nervoso com isso? Eu sou ser humano", disse Nunes.

"Tem uma pessoa ali vinculada a um partido político, isso está claro, ela está com uma bandeira, e está criando aqui uma narrativa de que não tinha segurança. Está criando um caso por uma questão política, nada relacionado à questão da obra. [...] Estamos vivendo um momento ruim, dessa polarização sem nenhum sentido, de querer atrapalhar uma obra da prefeitura", completou.

Alheia à briga, uma senhora cumprimentou Nunes no portão da sua casa, que tinha um mureta construída para barrar a água da chuva. O prefeito comentou que a obra, cuja inauguração é prevista para o mês que vem, iria resolver o problema. Ela agradeceu e emendou: "Qual seu nome?".

Mais cedo, no parque Ibirapuera, Nunes comentou sua ida ao ato de apoio a Jair Bolsonaro (PL) na avenida Paulista e minimizou a repercussão negativa em partidos como o PSDB.

"É fácil a gente reconhecer a força e a mobilização na avenida Paulista. Foi uma coisa muito bonita, eu me emocionei de ver aquela quantidade de pessoas", disse Nunes, repetindo que, na sua opinião, o ato foi democrático, pacífico e sem ataques às instituições. "Eles deram exemplo de civilidade e de democracia."

Principal líder dos tucanos, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), declarou ao jornal O Globo que o PSDB deve ter candidato próprio em São Paulo em vez de apoiar Nunes por causa da aliança do prefeito com Bolsonaro.

Nunes, por sua vez, disse que a fala de Leite deu oportunidade para que diversos membros do PSDB lhe declarassem apoio, como a bancada de vereadores e de deputados estaduais. Aliados do prefeito afirmam que os tucanos acabarão apoiando a reeleição do emedebista, já que a gestão, herdada de Bruno Covas (PSDB), abriga quadros do partido em diversos cargos.

O prefeito disse ainda ser um ímã que atrai apoios diversos. "No ato de domingo, tivemos um grande exemplo para democracia de como é possível dialogar. [...] A gente demonstrou que a direita pode estar junto com o meu campo, que é o centro, pra gente poder ganhar da extrema esquerda", declarou.

Ainda sobre o ato bolsonarista, Nunes disse que esteve lá "por uma hora, uma hora e dez [minutos]" e, em comparação, estava todos os dias "trabalhando e cuidando da cidade".

Na quarta-feira (28), Nunes esteve com um apoiador de Boulos, o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), na inauguração de uma escola no Grajaú. O petista participou da agenda porque foi ele quem deu o nome à escola quando era vereador.

"Foi muito importante para mostrar como é ser da boa política, ter divergências ideológicas, mas ter boa relação com todos os partidos e ideologias políticas. Quero agradecer o Suplicy, demonstrando a civilidade que a gente precisa ter na política", disse o prefeito.


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