"Eu poderia estar muito bem em outro País, mas decidi voltar pra cá com todo o risco. Não tenho medo de qualquer julgamento", afirmou Bolsonaro na cerimônia de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) à Prefeitura do Rio.
Em uma das entradas da quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde ocorreu o evento, os bicheiros Rogério Andrade e Castor de Andrade - patrono da escola de samba e banqueiro do jogo do bicho morto em 1997, aos 71 anos - estampam um banner de dois metros no mezanino do "Maracanã do Samba" com a frase: "O que é nascido de Deus vence o mundo". A menos de cem metros de lá, o ex-presidente Bolsonaro e Ramagem estrelam as peças do PL para o lançamento da pré-candidatura do delegado da Polícia Federal à Prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições municipais deste ano.
Sob a frase "Um novo Rio começa agora", Bolsonaro e Ramagem posaram no palco ao lado de aliados e correligionários na manhã deste sábado, 16, para o ato político um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos depoimentos de militares citados no plano de golpe de Estado arquitetado, segundo indicam as investigações, pelo ex-chefe do Executivo e seus comandados.
Figuras de peso do PL e próximas ao ex-presidente ficaram de fora do ato em tom de comício eleitoral para não descumprirem decisão da Justiça. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, foi um dos medalhões que não esteve na quadra da escola de samba. Moraes proibiu os investigados no inquérito sobre a tentativa de golpe de se comunicarem. O general Walter Braga Netto, que chegou a ser cotado para disputar a Prefeitura do Rio e busca fincar o seu nome entre eleitores da cidade, também não compareceu.
Marcado para começar às 11h, o evento reunia menos da metade da capacidade da quadra de samba às 11h30. Incomodado com a baixa adesão, Bolsonaro pediu que os seguranças do local autorizassem que os apoiadores se aproximassem do palco: "se algo acontecer, a responsabilidade é minha".
"O presidente Bolsonaro que nos uniu como patriotas resgatou os valores tradicionais, resgatou a família brasileira e os valores de liberdade. Volta, Bolsonaro. Em 2018, elegemos Bolsonaro presidente do Brasil. Isso vai voltar. No dia seguinte, eu fui indicado pela PF para trabalhar diretamente com o presidente Bolsonaro. Aquela antiga PF que nós dava tanto orgulho. Minha responsabilidade era levar o presidente para a posse. Eu trabalhei com o presidente Bolsonaro há quase seis anos. Em 2022, eu tive a missão de concorrer a uma vaga no Congresso Nacional. Hoje eu recebo uma nova missão do presidente. Vamos tirar a esquerda do poder do Rio de Janeiro. Vamos tirar esses soldados do Lula da cúpula do Rio", afirmou Ramagem.
Vaiado por militantes, governador louvou Bolsonaro e criticou Eduardo Paes
Além dos figurões com restrições judiciais, apenas o senador Romário (PL), entre os nomes influentes da legenda na política carioca, não compareceu ao ato. O governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, deputados federais e estaduais estiveram ao lado de Bolsonaro no palco da escola do Castor.
Vaiado por parte dos presentes, o governador Cláudio Castro discursou e apelou às pautas de costumes, com indiretas ao atual prefeito Eduardo Paes (PSD), que tentará a reeleição em outubro deste ano, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Bolsonaro fez em dois anos o que muita gente não fez em 20 anos. Em 2022, o Rio fez sua parte. Bolsonaro ganhou no primeiro e no segundo turno. O PL ganhou o governo no primeiro turno. Foi uma escolha fácil. Você quer ideologia de gênero nas escolas? Você quer bandido podendo matar policial a vontade? Esse ano temos a escolha de quem no fim de semana está nos botecos por aí, ou vamos chamar o delegado para dar ordem nesse Rio de Janeiro. Não somos gado de ninguém", afirmou o governador.
Investigações representam desgaste na candidatura de Ramagem
Sem um plano B para a disputa à Prefeitura da capital fluminense, o PL decidiu manter o nome de Ramagem na disputa mesmo após a operação "Vigilância Aproximada", da Polícia Federal (PF), colocar o deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no centro das suspeitas de um esquema de espionagem ilegal de opositores do governo Bolsonaro.
A operação da PF e as revelações de indícios de participação do ex-presidente no plano de golpe de Estado arquitetado para impedir a posse do presidente Lula representam um desgaste de partida para a pré-candidatura de Ramagem. Líderes do PL e aliados do ex-chefe do Executivo avaliam, no entanto, que as investigações, por enquanto, não têm forças para barrar a candidatura do deputado.



Aviso