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Movimento pró-democracia muda ato de local após arquidiocese do Rio vetar o Cristo Redentor

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Horas antes da realização de uma intervenção no Cristo Redentor nesta segunda-feira (7), membros do Movimento "Estamos Juntos" decidiram mudá-la para uma laje no bairro do Vidigal após o que chamaram de "censura" por parte da arquidiocese do Rio de Janeiro. O movimento planejava iluminar o Cristo com as cores verde e amarelo a partir das 20h30 e transmitir em suas redes sociais. "Temos a ideia de reconquistar os símbolos nacionais, e o Cristo é um deles, um símbolo de união", diz Ivo Herzog, um dos coordenadores do grupo. No local estariam Rafaela Matos, mãe de João Pedro, adolescente que foi morto enquanto brincava dentro da casa da família em São Gonçalo durante uma operação policial, e Rene Silva, fundador do jornal Voz das Comunidades. Eles fariam a leitura de um texto no local, que seria captada por três câmeras e drones. Uma versão adaptada do evento será realizada nessa laje no Vidigal a partir das 21h30 e será transmitida nas redes sociais do movimento. Segundo Ivo Herzog, as tratativas transcorreram sem percalços com a arquidiocese nos últimos 20 dias. Eles tiveram que contratar, afirma, uma empresa de produção homologada pela própria arquidiocese, o que não foi obstáculo. "Entramos em contato com a arquidiocese, eles toparam, sempre com uma preocupação muito grande com o conteúdo, e os mantivemos informados sobre tudo o que ia acontecer. Ontem (6) teve outra visita técnica e não houve problemas. Hoje, por volta das 18h, nos mandaram sair do Cristo", afirma. Ele diz que pouco depois eles receberam uma nota do departamento jurídico da cúria cancelando a autorização para que o ato fosse realizado, citando a repercussão que o evento tem tido nas redes sociais e um suposto "viés ideológico". "A gente tem viés, sim, pela vida e pela democracia. Estamos perplexos com a censura da igreja", completa. O Estamos Juntos foi um dos movimentos em defesa da democracia e críticos ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) que surgiram durante os primeiros meses do ano no Brasil, como também o Somos 70% e o Basta!. Manifesto publicado pelo movimento em maio apresentou a proposta de unir pessoas de diferentes matizes ideológicas em defesa de temas como “a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia”. Entre os signatários estão personalidades como a atriz Fernanda Montenegro, o youtuber e empresário Felipe Neto, o escritor Paulo Coelho, os apresentadores Luciano Huck e Serginho Groisman, o produtor Kondzilla, a socióloga e acionista do Itaú Maria Alice Setúbal e o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim. Também assinam o manifesto políticos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o governador Flávio Dino (PC do B-MA) e o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (MDB). “A gente não está entre o bolsonarismo e o comunismo, estamos entre o bolsonarismo e a civilização”, disse à época o escritor Antonio Prata, um dos organizadores do movimento.

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