Segundo ele, a primeira decisão de sua administração, a partir de 2003, foi olhar para a América do Sul e Latina. "Outro ponto da política externa foi combater a subserviência do Brasil. O dado concreto é que eu cada vez mais acredito que se nós resolvermos nossos problemas viraremos um ator importante no cenário globalizado", disse Lula, em referência ao continente latino-americano. Para ele, após as mudanças que ressaltou ter realizado, há quem sinta falta do passado. "Setores conservadores sentem saudade do tempo em que o continente era subalterno."
No início de 2003, quando assumiu, frisou Lula, uma das primeiras ações levadas a cabo por sua administração foi levar ao Fórum de Davos - que reúne anualmente líderes da economia global - a ideia de que era possível vencer a fome. "Fui a Davos no primeiro mês de mandato e disse que era possível acabar com a miséria e a fome. Exatamente o mesmo que disse no Fórum Social Mundial no mesmo ano", afirmou.
Lula narrou também um encontro com o ex-presidente norte-americano George W. Bush, no início de seu governo, às vésperas da Guerra do Iraque (2003-2011). Segundo ele, Bush buscava aliados para o conflito, que ele rechaçou dizendo que a guerra que ele iria travar na sua administração era contra a fome. "Minha guerra é contra a fome. Essa é a guerra que eu quero vencer no meu mandato. O senhor faça a sua guerra e eu faço a minha", disse Lula.
Bem humorado, afirmou que continua viajando pelos países da América do Sul mesmo depois de sua saída da Presidência. "É o jeito de não encher o saco da Dilma e não dar muito palpite aqui" concluiu, em palestra intitulada "Brasil no mundo - Mudanças e Transformações", na conferência "2003-2013: Uma nova Política Externa", realizada na Universidade Federal do ABC (UFABC).

