Na reunião, ele defendeu como prioridades os temas de direitos humanos, comunicação, meio ambiente, cultura e juventude. Para o secretário da Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, também chamado para a conversa da terça passada, há um interesse grande de Lula em entender as demandas. "Os partidos foram longe demais na insensibilidade com os movimentos populares", disse Ferreira.
Na última quinta-feira, 18, Lula falou por quase três horas para alunos da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo. Fez um discurso cheio de informalidade, respondeu a perguntas da plateia, foi aplaudido e deixou o auditório em meio a um empurra-empurra típico de popstar.
"Você é paraguaio?", perguntou Lula quando um estudante pedia para posar com ele, enquanto seguranças tentavam impedir o assédio na saída do palco, após a palestra no fim da tarde. Lula encerrara a conferência Nova Política Externa da Universidade em auditório de 400 pessoas, lotado. Dezenas de alunos tentavam se aproximar da tietagem. Não houve vaias no auditório.
Ao discursar, Lula buscou interação com a plateia. "Mostra a faixa aqui na frente", disse a estudantes que protestavam no fundo do auditório. "Aí atrás ninguém vai ver." O protesto era um pedido de apoio dele em favor de moradia estudantil. "Quando vocês estiverem putos da vida, não neguem a política; façam outro partido", pediu. Sem citar o grito de "sem partidos" ouvido nas ruas, Lula disse que "a pior coisa que pode acontecer no mundo é a gente aceitar a negação da política".

