Em um deles, entidades econômicas e da sociedade civil se juntam à comunidade jurídica. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem feito a articulação com a comunidade empresarial para angariar apoio à pauta, segundo o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo. A ideia é reunir expoentes de diversos setores e diferentes preferências partidárias em defesa da democracia. Procurada, a Fiesp não confirma participação na articulação.
No mesmo dia, no pátio da faculdade, uma reedição da "Carta aos Brasileiros" será lida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. O manifesto, criado por ex-alunos, circula em grupos de WhatsApp de advogados há alguns dias e é inspirado na "Carta" de 1977, lida por Goffredo da Silva Telles Jr., que pedia o restabelecimento de um estado democrático de direito e manifestava repúdio ao regime militar, vigente na época.
"É uma nova carta aos brasileiros, que ao invés de dizer 'Diretas Já' dirá 'estado de direito sempre'", disse o jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior, um dos articuladores do texto. Reeditar o espírito de 1977 demonstra a gravidade do momento, segundo advogados ouvidos pelo Estadão.
O texto pede uma "vigília cívica contra as tentativas de rupturas" e clama "brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições", independentemente de preferência eleitoral ou partidária.
O primeiro ato, com empresariado e entidades da sociedade civil, deve ocorrer no Salão Nobre da faculdade. O texto para este encontro ainda está em elaboração, pois depende de um ajuste fino entre entidades que têm evitado se posicionar politicamente - como a Fiesp.
No ano passado, então sob direção de Paulo Skaf, a Fiesp adiou a divulgação de um manifesto pró-democracia previsto para ser divulgado antes do ato de 7 de setembro convocada por Bolsonaro. O documento provocou uma crise na Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Desde o início deste ano, a entidade - que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff - é conduzida por Josué Gomes da Silva. Presidente da Coteminas, Josué é filho de José Alencar, que foi vice-presidente nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva, e já fez críticas públicas ao governo Bolsonaro.
Solenidade
De acordo com Campilongo, o evento com entidades econômicas será "um ato solene, de apoio aos tribunais superiores". "Nas conversas que tivemos, eles (Fiesp) se mostraram muito animados e nos disseram que várias entidades irão aderir", afirmou. O diálogo entre a cúpula da Fiesp e da Faculdade de Direito começou há cerca de 15 dias. Entre a sociedade civil, a direção da São Francisco já conversou com a Comissão Arns, a diretoria de outras faculdades de direito do País, a CNBB e outras.
Já o segundo evento será aberto. "No momento em que deveríamos ter o ápice da democracia", diz o texto, "estamos passando por um momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições". O documento fala que "desvarios autoritários puseram em risco" a democracia dos EUA e não tiveram êxito. "Aqui também não terão", afirma a carta.
Mais de 1,3 mil assinaturas foram coletadas até agora. O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior e o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, José Alberto Simonetti deverão estar presentes.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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