O vereador de Balneário Camboriú Jair Renan Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal por Santa Catarina, pediu nesta terça-feira, 22, para não ser descontado por faltar a uma sessão da Câmara Municipal na semana passada. O vereador afirmou que faltou por "motivo de ordem pessoal", mas o requerimento para ter a ausência abonada foi rejeitado por 10 votos a 5, com uma abstenção.
Ao votar contra o pedido, o vereador Marcelo Achutti (MDB) criticou o colega por pedir que a Casa o abone pela falta em meio à campanha por uma vaga na Câmara dos Deputados.
"Recebeu R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral e ainda quer que nós abonemos, vai criar vergonha na cara", disse o parlamentar. "Está em campanha eleitoral, faça igual os demais. Eu, quando fui candidato, licenciei-me e dei vaga ao suplente."
Segundo o Regimento Interno da Câmara de Balneário Camboriú, faltas não justificadas geram um desconto proporcional à sessão em que o vereador não esteve presente. Na prática, a falta de Jair Renan na sessão de 16 de setembro gerará um desconto de R$ 2,2 mil no seu salário. O vencimento de um vereador da cidade é de R$ 18,2 mil mensais.
Ao final da sessão, Jair Renan tomou a palavra e rebateu Marcelo Achutti. "Tenho que visitar o meu pai", justificou o vereador. "Não entendo o que tem a ver com Fundo Eleitoral. Eu não pego o Fundo Eleitoral para fazer bagunça. Pego para fazer campanha e o que sobrar, eu devolvo", completou.
O Estadão procurou a defesa do ex-presidente, que não confirmou que o filho "04" de Bolsonaro esteve na casa dele na quarta-feira passada.
Jair Renan faltou em três sessões da Câmara de Balneário Camboriú desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto. No mês passado, o parlamentar faltou a uma sessão, e nesse mês, em duas. Para justificar a ausência em agosto, Jair Renan usou um artigo do Regimento da Casa segundo o qual é permitido faltar a um encontro por mês sem desconto no salário.
Além das sessões do plenário, Jair Renan também tem faltado às reuniões de comissões permanentes. Em julho, o presidente do colegiado de Segurança Pública, Eduardo Zanatta (PT), pediu que ele deixasse a comissão por excesso de faltas sem justificativas. Das 12 reuniões realizadas entre janeiro e junho deste ano, o filho de Jair Bolsonaro só foi a três encontros, sem justificar as ausências nos demais dias.
Atuação apagada e projeto plagiado
Como mostrou o Estadão , Jair Renan teve uma atuação apagada desde que assumiu o mandato de vereador. O parlamentar aprovou quatro projetos de lei em um ano e meio, mas nenhum deles saiu do papel. Uma das propostas aprovadas por ele foi plagiada da Câmara de São Paulo. O vereador replicou o conteúdo de um projeto aprovado na capital paulista, mas não creditou a autora original da proposta.
Jair Renan é o quarto filho de Jair Bolsonaro. Ele é filho de Ana Cristina Valle, segunda mulher do ex-presidente, enquanto Flávio, Carlos e Eduardo são filhos de Rogéria Nantes, primeiro casamento do pai.
Ele já foi réu por lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. A ação penal do caso foi trancada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro deste ano.
Jair Renan também já teve desentendimentos públicos com Michelle Bolsonaro (PL) e outros aliados do pai, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que comparou sua inteligência a de uma "toupeira cega".
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