Apoiadores divulgavam, principalmente, formas de como usar uma rede virtual privada (VPN) ou de ter acesso a um proxy. Ambos têm a mesma finalidade: mascarar a origem de acesso de um internauta. Uma pessoa no Brasil pode simular que está usando a internet em outro país. Na ordem de Alexandre, pessoas naturais e jurídicas que usarem "subterfúgios tecnológicos" para continuarem a usar o Telegram estarão sujeitas a "sanções civis e criminais", e multa diária de R$ 100.000.
Grupos antivacina e de apoiadores de Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista, também divulgaram formas de como driblar o bloqueio imposto pelo ministro do STF.
A ação foi recomendada por influenciadores como o blogueiro Allan dos Santos, que teve sua conta original banida no Brasil em 26 de fevereiro. Quando banido, Allan dos Santos criou uma conta alternativa e informou que quem estava em outro país ou usava uma VPN conseguia ter acesso ao canal original.
O influenciador bolsonarista Bernardo Küster divulgou em seu canal com mais de 60 mil seguidores o uso de proxy como alternativa para o uso do Telegram. Ele postou duas possíveis alternativas de proxy, com endereços para Estados Unidos e outros países europeus. A mensagem recirculou em grupos antivacina.
"Nesse novo Brasil, aprenda a usar VPN e criar uma conta no Gettr e no Clouthub", escreveu dos Santos às 16h06 desta sexta-feira em sua conta alternativa na rede, que ainda estava ativa e tinha cerca de 50 mil inscritos. Poucos minutos depois, ele foi novamente banido da plataforma.
O Gettr se define como uma rede social que "rejeita a censura política e a 'cultura do cancelamento'". Ela tem o apoio direto de Bolsonaro, seus filhos e influenciadores bolsonaristas, que estão presentes na plataforma. O Clouthub é uma outra rede para o qual grupos de extrema-direita migraram em massa.
Levantamento do site de notícias americano Axios aponta que houve um aumento no número de downloads da rede em mais de 100% entre os dias 5 e 9 de janeiro do ano passado - no dia 6 de janeiro, apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio americano para impedir a confirmação de Joe Biden como presidente americano. Cinco pessoas morreram nos conflitos.
Apoiadores de Bolsonaro nos grupos atacaram Alexandre de Moraes com xingamentos e alguns protestaram contra o que chamaram de inação do presidente sobre o tema.
Em outros grupos, usuários divulgaram mensagens sinofóbicas, dizendo que chineses comem bebês e outra ataca o humorista Danilo Gentili, chamando-o de "judeu maçom". Administradores de páginas em apoio a Bolsonaro criaram canais na rede social Discord para que os seguidores migrassem. O Discord é uma plataforma que permite que usuários se comuniquem por texto e por voz. Apenas membros dos grupos podem saber o conteúdo das mensagens.



