O governo de Donald Trump teria destinado US$ 1 milhão a grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, sob a alegação de que a Corte extrapola suas atribuições. O valor faz parte de um pacote de US$ 176,9 milhões, cerca de R$ 916,4 milhões, voltado a fortalecer iniciativas conservadoras em diversos países e retirado do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.
Um documento ligado ao repasse descreve o projeto brasileiro como de "combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil". A legislação que autoriza o fundo determina que os recursos sejam empenhados até 30 de setembro, e a gestão Trump teria pressionado para fechar os repasses a poucas horas do fim do prazo.
O tema volta a colocar em evidência o histórico de atritos entre Washington e o Judiciário brasileiro. O ministro Alexandre de Moraes foi alvo de sanções da Lei Magnitsky, aplicadas após articulação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes tiveram os vistos para os Estados Unidos suspensos temporariamente em 2025. Eduardo é investigado em inquérito do STF sobre sua atuação no exterior em busca de punições a autoridades brasileiras.
O assunto ganha peso em pleno período eleitoral. Em discurso recente, o presidente Lula afirmou que alguns candidatos abusam da liberdade de expressão para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país, em referência indireta à relação da família Bolsonaro com Trump.
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