BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Responsável pela articulação política do Planalto, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) afirmou nesta terça-feira (1º) que os partidos do "centro democrático" venceram as eleições municipais e que agora é momento de aprovar "pautas importantes" no Congresso Nacional. "O segundo turno das eleições municipais reforçaram minha última análise. Os partidos do 'centro democrático' venceram de maneira inquestionável e na sua grande maioria fazem parte da base do governo", escreveu Ramos numa rede social. Em seguida, ele destacou o número de prefeituras conquistas pelo MDB, Progressistas, PSD, DEM, Republicanos e PTB . As legendas citadas pelo ministro defendem pautas liberais na economia, mas nem todos integram a base governistas. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, disse por exemplo que seu partido não estará com Bolsonaro em 2022 caso o atual presidente se coloque com um candidato "do extremo". Em sua mensagem nas mídias sociais, o ministro afirmou ainda acreditar "na responsabilidade política do Congresso Nacional". "Também é importante ressaltar que agora é momento de aprovarmos as pautas importantes para o Brasil. Acredito na responsabilidade política do Congresso Nacional, e tenho certeza que avançaremos". A equipe econômica do governo tenta impulsionar no Legislativo uma série de matérias, como a reforma tributária e a PEC Emergencial -que prevê medidas que reduzem benefícios de servidores e cria gatilhos para conter o avanço das despesas. Apesar do apelo de Ramos, a expectativa no Congresso é que nos próximos meses as discussões estejam dominadas pela eleição da presidência da Câmara. A fala de Ramos sobre o resultado do pleito municipal vai na mesma linha de outros auxiliares de Bolsonaro, que minimizaram a derrota de candidatos apoiados pelo presidente e destacaram o avanço das siglas de centro que votam com o Planalto no Parlamento. Segundo relatos feitos por auxiliares palacianos, o pleito municipal deve reforçar a relação de dependência do governo Bolsonaro com o centrão, grupo de legendas que registrou crescimento no número de prefeitos. Além disso, mesmo a derrota de Marcelo Crivella (Republicanos) no Rio de Janeiro e a vitória de Bruno Covas (PSDB) --aliado do governador tucano João Doria-- em São Paulo são relativizadas por interlocutores do presidente, que acreditam que os prefeitos das duas capitais não poderão se dar ao luxo de adotar uma postura de confronto com o governo federal. Entre primeiro e segundo turno, Bolsonaro declarou abertamente apoio a 63 candidatos em todo o país, a maioria durante as suas "lives eleitorais gratuitas". Foram 18 candidatos a prefeito, um a senador (Mato Grosso teve eleição suplementar, no primeiro turno) e 44 a vereador. Apenas 11 candidatos a vereador e 5 a prefeito foram eleitos.