Início Política Frase de diretor do MBL sobre destruição de Israel gera reação de judeus
Política

Frase de diretor do MBL sobre destruição de Israel gera reação de judeus

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma postagem de um dos líderes do MBL (Movimento Brasil Livre) na Bahia de 16 de janeiro gerou protestos de grupos judaicos, por expressar o desejo de que o Estado de Israel "seja destruído por uma grande guerra".

O movimento está na berlinda após um de seus principais representantes, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), ter se manifestado em uma live nesta semana contrariamente a que o nazismo seja considerado crime no Brasil.

A postagem foi feita no mês passado por Ricardo Almeida, coordenador do movimento na Bahia. "Há muito antijudaísmo conspiratório circulando no mundo islâmico, mas o vínculo não é necessário. Eu mesmo não tenho qualquer laivo antissemita e desejo que o Estado de Israel seja destruído por uma grande guerra, quando a perspectiva de guerra vitoriosa contra Israel existir", escreveu ele.

O texto foi rebatido, entre outros, pelo grupo Juventude Judaica, que disse que a postagem era antissemita. "Chega de antissemitismo! Se você quer que o único país judaico do mundo seja destruído então você quer que os judeus também sejam. É isso, não vamos aceitar mais nos dias de hoje e nem no Brasil", escreveu o grupo.

Cobrado em redes sociais e grupos de WhatsApp, o MBL se retratou. "O post com a piada de péssimo gosto foi apagada e a retratação está em vídeo. Nosso posicionamento pró-Israel é claro e não vem de hoje", afirmou Kataguiri.

Em vídeo, Almeida, que é muçulmano, e o coordenador nacional do MBL Renan Santos disseram que a postagem foi um "exagero retórico" e pediram desculpas.

Em nota enviada à reportagem, Almeida afirmou que "rejeita peremptoriamente o antissemitismo e o antissionismo e todos os seus desdobramentos criminosos".

Ele declarou que o MBL "tem membros cristãos, judeus, ateus, candomblecistas, espíritas, e muçulmanos, que convivem harmoniosamente e brincam uns com os outros".

O tuíte, declara, foi escrito nesse contexto. "Não pretendo a 'destruição' de Israel, mas a solução pacífica do conflito. Quanto ao MBL, a posição do movimento é bem conhecida na defesa de Israel como única democracia do Oriente Médio e de proximidade ativa com a comunidade judaica", afirmou.

Líder importante da comunidade judaica no Rio, o jornalista e advogado ​Ronaldo Gomlevski disse que "qualquer pessoa, brincando ou não, que fale sobre a destruição de um país, esta cometendo um equívoco".

Diretor-geral do programa Menorah na TV e da revista Menorah, ele afirmou que aceita o pedido de desculpas de Almeida e que não considera o MBL inimigo de Israel.

"O MBL não tem nada contra Israel, falo por todo o relacionamento que tive com essas pessoas, que já recebemos aqui no Rio. Não são antissemitas", diz.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?