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Fama de disciplinado foi central para indicação de novo chefe da Casa Civil

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - À procura de um nome para a Casa Civil, o presidente Jair Bolsonaro comentou nos últimos dias que gostaria de alguém que trouxesse organização para a estrutura interna do governo. Acabou indicando o general Walter Souza Braga Netto.

A fama do militar o antecede. É visto como um dos generais mais disciplinados de sua geração, e teve na intervenção militar na área de segurança do Rio de Janeiro, durante dez meses de 2018, o ponto alto de sua carreira até aqui.

Não sem críticas, naturalmente, a começar pelo próprio general. Em diversas ocasiões, o oficial manifestou reservas ao modelo de uso das Forças Armadas em operações de policiamento urbano, por falta de treinamento adequado e insegurança jurídica para as tropas.

Uma vez com o abacaxi na mão, como seus amigos definiam a missão, ele tratou de descascá-lo da melhor forma possível. Na sua memória da violência fluminense, havia a morte de um irmão em assalto, ocorrida em 1984.

Problemas não faltaram: mortes de civis em favelas e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista ocorreram quando Braga Netto era responsável pelas forças policiais fluminenses.

Como se sabe, além de o crime não ter sido esclarecido, elementos da Polícia Civil tentaram interferir na investigação e arrumar um bode expiatório que assumisse o crime. O caso até hoje assombra Bolsonaro, dadas as ligações do gabinete de seu filho Flávio com suspeitos do crime.

Houve melhoria de alguns indicadores de violência e piora de outros, além do reaparelhamento de alguns setores da polícia durante a intervenção. Especialistas em direitos humanos, em geral, consideraram a iniciativa como inócua. Militares de alto escalão estimam que, dada a situação trágica que encontraram, a ação foi bem-sucedida ao fim.

Braga Netto subiu na carreira após a intervenção, saindo do Comando Militar do Leste e chegando à chefia do Estado-Maior do Exército, segundo posto na hierarquia interna da Força.

Já seu braço-direto na intervenção, o general Richard Nunes, saiu da secretaria de Segurança do Rio para a chefia de comunicação do Exército. Na Força, a aposta é que ele agora vá acompanhar o antigo chefe no Planalto, caso ele aceite o convite de Bolsonaro.

O ex-interventor é conhecido por trabalhar em silêncio, ao proverbial estilo mineiro de sua Belo Horizonte natal. Tem 62 anos e entrou em 1975 no Exército. É casado e tem dois filhos.

Em 2016, ganhou holofotes ao coordenar, de forma elogiada por políticos, a segurança da Olimpíada do Rio. Para tanto, usou a experiência que teve como observador militar das Nações Unidas no Timor Leste.

O sucesso da missão o levou a ser o próximo comandante do Leste, região que abrange Rio, Minas (exceto o Triângulo Mineiro) e Espírito Santo. O ocupante anterior do cargo era o atual ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Tinha cerca de 50 mil soldados sob suas ordens.

No exterior, foi adido em duas nações muito próximas do bolsonarismo: Polônia (2005-6) e Estados Unidos (2012), o que pode facilitar sua interlocução com as iniciativas mais polêmicas do governo, como a busca por um estreitamento nas relações militares com Washington.

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