"Só tem em cima da direita, em cima da esquerda não tem nada. Não tá colando mais esse tipo de ação. E caiu, para variar, com o mesmo ministro do Supremo (Alexandre de Moraes). Sempre ele, sempre o mesmo. Tem que enfrentar e não é de hoje", disse Bolsonaro sobre a ação da PF contra Gayer por desvio de cota parlamentar. Durante as buscas, nesta sexta-feira, 26, a Polícia Federal apreendeu R$ 72 mil com um assessor do deputado.
Na ocasião, Gayer destacou em suas redes sociais o fato de a operação ter sido aberta dois dias antes do segundo turno das eleições, "da qual seu candidato (Fred Rodrigues) participa em Goiânia". Segundo o parlamentar, as buscas visam "claramente prejudicar seu candidato".
Bolsonaro também criticou Moraes pela suspensão do X, antigo Twitter, no País. "Disse que isso prejudicou sua comunicação com o eleitor", afirma o Valor Econômico. "Eu deixei de me contatar com 14 milhões de pessoas nas eleições agora. Esse é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)", afirmou o ex-presidente ao jornal.
O X foi suspenso no Brasil entre o fim de agosto e o início de setembro e só voltou a funcionar em 8 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e não teve a ver com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar da fala do ex-presidente. O TSE é responsável, no entanto, pela garantia da democracia brasileira.
Perguntado sobre a disputa de seu candidato em Goiânia com o opositor Sandro Mabel (União), apadrinhado pelo governador de Goiás Ronaldo Caiado (União), com quem Bolsonaro teve um desentendimento nos últimos dias, o ex-presidente negou que exista uma "racha na direita" - tanto Bolsonaro e seu candidato, quanto Caiado e Mabel, se denominam como políticos à direita.
"Disseram que o Pablo Marçal tinha rachado a direita. Caiu a máscara, não tem racha. A direita, em grande parte, são pessoas conscientes que sabem o que está em jogo", afirmou Bolsonaro. "Durante a pandemia, por quatro momentos o Caiado rompeu comigo. Eu fiquei na minha. Sempre o atendi em tudo que foi possível. O Caiado é muito - o que eu vejo - do que ele quer. Se está do lado do candidato dele, tudo bem. Se não está, o bicho complica."
"Não vim aqui para peitar o cara, muito pelo contrário, eu o respeito. E ele sabe que é mortal Goiânia para ele", acrescentou o ex-presidente, que disse não descartar uma reaproximação com o governador de Goiás após essas eleições.

