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Eleição chega ao 2º turno com expectativa de redução nas filas de votação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O segundo turno destas eleições, neste domingo (30), deverá ter filas menores para votação. Pelo menos segundo as expectativas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No primeiro turno, a espera em algumas localidades chegou a horas e levou a um atraso no início da totalização dos votos.

Diferentes fatores podem ter contribuído para a longa espera, como o uso da biometria por boa parte dos eleitores -dados do TSE apontam que 118 milhões (76%) têm o cadastro.

O tribunal aponta o aumento da capacitação de mesários como a principal medida tomada para evitar a formação de filas no segundo turno. Outro ponto que deve impactar é o menor número de cargos em disputa, um ou dois a depender do estado.

A reportagem questionou o TSE se há um posicionamento conclusivo sobre os motivos das filas no primeiro turno. O tribunal respondeu que há uma série de fatores que podem ter impactado.

"Seria imprudente indicar apenas uma situação. Optamos em tratar o problema de forma sistêmica e completa e não apenas visualizando situações pontuais", afirmou.

Um fator que pode ter influenciado, e que não será alterado neste segundo turno, é o aumento no número de eleitores em algumas seções eleitorais. Em 8.205 localidades, mais do que o dobro de eleitores estavam aptos a votar na comparação entre o primeiro turno de 2022 e o de 2018, segundo o TSE.

Ainda de acordo com o tribunal, 19.977 seções tiveram um incremento de ao menos 50% nos votantes.

O número não representa um percentual expressivo das 496.856 seções no país, mas pode ter contribuído para uma percepção de maiores filas de espera no pleito. O TSE diz encarar a flutuação como corriqueira e aponta que não é o suficiente para ocasionar filas.

Segundo o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), no entanto, o número de eleitores também pode ter contribuído para a demora. Os paulistas citam ainda outros fatores, como o comparecimento em horários de pico e a biometria.

O TRE-PR afirmou que o aumento no número de eleitores é um dos fatores que pode ter contribuído para as filas, mas diz que ele "foi relevante em alguns poucos casos, mas não foi o mais determinante".

O TRE do Piauí, faz a ressalva de que em todas as seções que tiveram mais de 400 eleitores no estado houve formação de filas. De acordo com órgão, cerca de 5% do total de seções do estado operaram acima desta quantidade.

Nas nove seções piauienses que registraram maior atraso no fim da votação, o número de votantes girava em torno desse número. Levantamento da Folha de S.Paulo com dados do TSE mostra que houve alta no comparecimento em 8 desses lugares -7 acima dos 50% e 3 mais do que dobraram.

O Piauí foi o estado onde mais se concentraram as seções com mais que o dobro dos eleitores. O fenômeno ocorreu em 1,8% das localidades, segundo a análise da reportagem.

A situação não se restringe ao estado. A Escola Estadual Luiz Vaz de Camões, em Manaus, por exemplo, foi outro local onde se registraram longas filas de espera. Por ali, os eleitores subiram 120% na seção 392.

Em Salvador, relatos nas redes sociais apontam grandes filas no Colégio Sartre e no Colégio Estadual Praia Grande. Ambos tiveram seções com aumentos de 130%.

Olhando para o Brasil todo, o levantamento da Folha de S.Paulo adota uma abordagem mais conservadora que a do TSE, e aponta que pelo menos 3.471 seções eleitorais dobraram no eleitorado presente.

A conta leva em consideração apenas as seções que tiveram ao menos 100 votantes em 2018. Além disso, ela avalia o comparecimento de fato, e não o número de inscritos para votar no local.

Para acomodar as mudanças nos locais de votação feitas entre uma eleição e outra, a Folha de S.Paulo considerou também o endereço e o nome do local de votação. Com isso, uma seção que eventualmente tenha mudado de lugar não seria tida como a mesma entre 2018 e 2022.

Considerando esses critérios, o número de seções que pelo menos dobraram foi maior em 2022 do que nas últimas duas eleições presidenciais. Entre 2014 e 2018 foram 2.292 casos e, de 2010 para 2014, 3.078.

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