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Diretor de Jornalismo da Globo insinua que foi vítima de armação do Governo

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Diretor de Jornalismo da Globo insinua que foi vítima de armação do Governo
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O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, 57 anos, enviou nesta 2ª feira (4.nov.2019) longo texto à sua equipe na emissora elogiando o trabalho de reportagem a respeito do episódio do porteiro do condomínio no qual têm casa o presidente da República e também suspeitos de participar no assassinato de Marielle Franco (14.mar.2018).

Kamel sugere que algumas das fontes consultadas próximas ao presidente da República poderiam ter preparado uma cilada para a emissora. Entre os indícios, ele destaca o fato de que uma pessoa próxima aos Bolsonaros teria procurado a Globo em Brasília para dizer que em breve estouraria uma grande bomba no caso Marielle e que a investigação poderia ser transferida para Brasília.

“A editoria em Brasília, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?”

Kamel também aborda a atitude do advogado de Bolsonaro:

“Hoje sabemos que o advogado do presidente [Frederick Wassef], no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa (acusado de envolvimento com o assassinato)”.

Kamel prossegue: “No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano”.

Em seguida, o diretor da Globo faz esta inferência: “Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional. Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio)”.

Kamel exalta o trabalho da equipe da Globo, que reputa correto e verdadeiro:

“A reportagem estava pronta para ir ao ar. Tudo nela era verdadeiro: o livro da portaria, a existência dos depoimentos do porteiro, a impossibilidade de Bolsonaro ter atendido o interfone (pois ele estava em Brasília) e, mais importante, a possibilidade de o STF paralisar as investigações de um caso tão rumoroso”.

 Logo no início da carta, pede que todos festejem o episódio. “Há momentos em nossa vida de jornalistas em que devemos parar para celebrar nossos êxitos”. Fonte Poder 360

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