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Direita viraliza em grupos, mas esquerda consegue vincular tarifas de Trump ao bolsonarismo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A narrativa da direita prevaleceu em mensagens virais no WhatsApp sobre a tarifa anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto a da esquerda predominou nas conversas orgânicas, que conseguiram vincular a medida ao bolsonarismo.

O resultado é de levantamento feito com exclusividade pela Palver a pedido da Folha de S.Paulo. Foram coletadas mais de 20 mil mensagens sobre o tema de 100 mil grupos públicos de WhatsApp no período de três dias até esta quinta-feira (10).

"As pessoas estão reagindo mal às tarifas, e são justamente as mais do meio [nem petistas nem bolsonaristas] que estão fazendo a diferença", diz Felipe Bailez, economista e CEO Palver. "Mais do que defender o Lula, estão atacando o Bolsonaro. Essa é a grande conclusão."

Quase 60% das mensagens virais (encaminhadas com frequência e repetidas pelo mesmo usuário) são críticas a Lula. A narrativa da direita também ataca o STF (Supremo Tribunal Federal) e ao governo Lula (PT).

Um exemplo é uma mensagem que atribui a culpa pelas tarifas ao petista, que teria comparado Trump e Israel ao nazismo, e afirma que o ministro do STF Alexandre de Moraes emitiu ordens secretas contra Google, Meta e X, além de ter suspendido a rede social de Elon Musk.

Segundo Bailez, até a última quarta-feira (9), a direita estava comemorando a medida de Trump, não pela taxação, mas pelo reconhecimento de que o Brasil não seria uma democracia. Isso mudou, e a mensagem nesta quinta é apontar a culpa de Lula.

"Agora, a direita não tem uma coesão", afirma ele. "O que eles estão fazendo é construir uma narrativa. Depois, vai aparecer um vídeo que provavelmente vai explodir, mas eles ainda não estão preparados para montar essa coesa narrativa.

Por outro lado, segundo a Palver, a maioria das conversas orgânicas (quando há interação entre usuários) esteve afinada com a narrativa da esquerda de ataque às tarifas e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou de defesa de Lula.

Uma das mensagens chama Trump de "laranjão" e afirma que, embora digam que ele não cumpre o que promete, ele o faz quando é para prejudicar o país alheio. Atribui ainda a um secretário do americano uma fala de que o Brasil seria o quintal dos Estados Unidos.

As mensagens de rejeição à tarifa e as críticas ao bolsonarismo circulam com tom irônico e confiante, mostra a análise. Além disso, a acusação de submissão dos bolsonaristas aos EUA tem apelo retórico e emocional, sendo frequentemente acompanhada de memes.

O relatório da Palver indica ainda que o discurso da soberania nacional e de defesa do país também foi apropriado com sucesso pela esquerda, deslocando o custo simbólico da tarifa para a oposição.

Bailez afirma que este é o retrato até o início da tarde desta quinta-feira. Segundo ele, ainda será preciso esperar para verificar se a narrativa que a direita está impulsionando pelas mensagens virais será incorporada nas conversas orgânicas.

"Isso vai mudar o tom da conversa, principalmente das pessoas de centro, porque quem é bolsonarista compra a mensagem bolsonarista, quem é petista compra a mensagem petista, e não muda. Vemos essas mudanças mais nas pessoas que estão no meio."

Outro fator que pode influenciar o rumo da repercussão nas redes sociais é a reação de Lula. Qual será a resposta e como vai funcionar terá um impacto direto, segundo ele. "Mas vamos ter que esperar para ver."

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