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Deputados contestam Lira, que chama de 'oportunismo político' crítica por mudar área da imprensa na Câmara

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Deputados contestaram nesta quarta-feira (10), durante a votação da autonomia do Banco Central, a decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de transferir jornalistas que cobrem o Legislativo para uma sala sem janelas em plena pandemia de Covid-19. A mudança está marcada para esta quinta-feira (11). Os profissionais serão migrados para um espaço menor e mais distante das atividades do plenário. Com a medida, Lira pode se livrar de ser abordado pela imprensa, pois terá acesso direto ao plenário da Câmara. Hoje, ele precisa passar por uma área de circulação de jornalistas e representantes da sociedade que frequentam a Câmara -o chamado Salão Verde. Quando passam por essa área, os presidentes da Casa são geralmente questionados sobre pauta de votações, decisões polêmicas e demais fatos políticos. No plenário, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) contestou a decisão de Lira e afirmou que a área atual onde se localiza o comitê "é muito grande para comportar apenas uma pessoa". Lira autorizou obras para transferir o gabinete da presidência da Casa para a área hoje usada pelos jornalistas. "Ali funciona o comitê de imprensa com mais de 60 pessoas a cada turno", disse. Ele defendeu que Lira coloque a medida em votação no plenário -há um projeto de resolução a ser votado sobre o tema, mas não está na pauta desta quarta. "Não é possível que Vossa Excelência queira botar nos porões desta casa os profissionais da imprensa. Eles merecem muito mais, merecem respeito, merecem consideração e merecem nosso carinho." A deputada Erika Kokay (PT-DF) também criticou a decisão. "O presidente da Câmara tem medo da imprensa, quer fugir da imprensa, está desalojando a imprensa do lugar que ela ocupa desde sempre porque quer fugir da imprensa", afirmou. Em resposta, Lira afirmou que a decisão havia sido tomada pela Mesa Diretora anterior e foi apenas convalidada pela nova gestão. "O que a imprensa reclama é que não pode ficar distante do plenário. E nós vamos conversar e dialogar como sempre fizemos, para acharmos uma solução viável, que atenda a todos, não só à imprensa, mas principalmente o funcionamento desta Casa com a ajuda da imprensa", afirmou. O presidente da Câmara criticou alguns colegas que levaram a discussão a plenário. "Sem nenhum tipo de proselitismo, sem nenhum tipo de demagogia, sem nenhum tipo de querer fazer e oportunizar o momento para querer criticar o que não é justo, esta Casa fará a discussão", disse. Apesar de acenos a diálogo, Lira disse que a decisão da Mesa está tomada. "Mas nós iremos dialogar para dar um conforto e maior possibilidade de que a imprensa exerça seu papel sempre com democracia e nenhum tipo de oportunismo político." Na resposta, ele afirmou não ver "nenhum problema" no lugar que foi oferecido à imprensa. "Uma sala de 107 metros quadrados, com copa, com banheiro, com todo sistema analógico, com todo sistema virtual para acessibilidade, com as baias, 40 baias", disse. Além de banheiros, o comitê atual tem 54 espaços, cabine de imprensa, para entrevistas reservadas, e janelas. O atual comitê dá acesso ao plenário da Câmara e facilita o trânsito de jornalistas pelo Salão Verde. A nova sala fica no térreo, um andar abaixo do plenário, e também não dá acesso direto ao Salão Verde. Por causa da pandemia, o acesso ao plenário está proibido para jornalistas. O trabalho da imprensa é realizado no Salão Verde ou no Salão Negro, local que foi preparado de acordo com as medidas de segurança contra a Covid-19 para entrevistas coletivas -quase que diárias- do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e outros parlamentares. Lira ressuscitou um projeto do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ). A obra no local envolve a instalação de um elevador para cadeirantes no gabinete. A mudança também chegou a ser discutida quando o PT comandou a Câmara, mas não avançou. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) só deu aval à obra durante a gestão de Cunha. O emedebista pretendia realizar a reforma, mas acabou afastado e preso pela Operação Lava Jato acusado de receber propina por contratos com órgãos públicos e da Caixa Econômica Federal. "A intervenção, como foi concebida, não apresenta riscos de descaracterização do edifício e se restringe basicamente à reorganização e redistribuição interna de diversos ambientes de trabalho, conferindo mais clareza à organização e distribuição dos ambientes internos do edifício, não havendo nenhuma alteração, seja na volumetria do edifício, suas fachadas ou obras de arte integradas", afirma o Iphan. Lira foi eleito para comandar a Casa no primeiro turno com ajuda do governo Bolsonaro, que distribuiu cargos e emendas para partidos aliados em troca do apoio ao candidato alinhado ao Palácio do Planalto.

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