Como revelou o Estadão , as Forças Armadas enviaram, sem dar publicidade, 88 questionamentos à Corte nos últimos oito meses sobre supostas fragilidades do processo eleitoral brasileiro. Dessas perguntas, 81 foram respondidas pelo TSE. Resta ao tribunal analisar as propostas de melhoria do processo eleitoral. A maioria das perguntas reproduz o discurso do presidente Jair Bolsonaro, que tem colocado em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.
'OBRIGAÇÕES
O general destacou no ofício que o Ministério da Defesa tem sido instado a apresentar as propostas feitas ao TSE, mas entende que as informações deveriam ser obtidas no próprio tribunal. O ministro disse, ainda, que o compromisso das Forças Armadas é "contribuir com o que for necessário para a paz e a segurança" das eleições e com o cumprimento de suas obrigações constitucionais.
Para justificar a cobrança pela divulgação das sugestões mantidas sob sigilo no TSE, o ministro citou pedidos de acesso de cidadãos e do deputado Filipe Barros (União Brasil-PR). O parlamentar bolsonarista foi relator da PEC do voto impresso, derrotada na Câmara, e virou alvo de investigação sobre o vazamento de um inquérito do TSE, ao lado de Bolsonaro, sobre um ataque hacker à Corte.
DESCONFIANÇA
Os questionamentos foram levantados pelos militares apesar de os órgãos de investigação nunca terem detectado fraudes no sistema eletrônico de votação. Ao contrário. No ano passado, a Polícia Federal vasculhou inquéritos abertos desde que as urnas eletrônicas passaram a ser usadas, na década de 1990, e não encontrou sinais de vulnerabilidade.
Nesta semana, Bolsonaro participou da reunião do Alto Comando do Exército no QG da Força, em Brasília. Anteontem, ele foi a uma confraternização das Forças Armadas fora de sua agenda oficial. O presidente já sugeriu uma apuração paralela dos votos, controlada pelas Forças Armadas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

