Comandante diz que Exército segue a Constituição e pede cautela da tropa com redes sociais

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

17/09/2021 21h05 — em Política

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou, em pronunciamento divulgado nesta sexta-feira (17), que a Força "continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais" e fez um apelo para que soldados tenham cautela com informações recebidas nas redes sociais.

Foi a primeira manifestação de Nogueira desde o feriado de 7 de Setembro. Apesar de destacar a data da Independência, o general não fez qualquer referência às manifestações de raiz golpista com a presença do presidente Jair Bolsonaro naquele dia em Brasília e em São Paulo.

"O Exército não para, e continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais. É um trabalho diário e silencioso de cerca de 220 mil militares, homens e mulheres, que honram suas fardas e produzem os resultados percebidos por toda a sociedade", afirmou Paulo Sérgio em pronunciamento veiculado nas redes sociais da instituição.

Em outro trecho do discurso, o comandante destacou que existe atualmente um "volume avassalador de informações" e afirmou que, diante disso, é preciso um esforço para buscar "a verdade dos fatos".

"Por isso, muita cautela com o que circula nas mídias sociais. Analisem com critério e façam a correta interpretação das informações que acessam ou recebem. Mas, principalmente, confiem ainda mais em seus comandantes e chefes, em todos os escalões hierárquicos. Eles estão investidos de autoridade e responsabilidade para transmitir a vocês a melhor, mais ética e profissional leitura dos acontecimentos, além de orientá-los no correto caminho a seguir para o cumprimento do dever", disse o general.

Nesta semana, durante evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que fake news fazem parte da vida e comparou o tema a uma "mentirinha" contada para uma namorada. "Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem."

Em seu discurso nesta sexta, Paulo Sérgio exortou a tropa a "manter o foco em suas atribuições".

"Reforçando a fé inabalável na missão do Exército brasileiro, concito a todos a manter o foco em suas atribuições. Desempenhar, com a dedicação de sempre, as suas tarefas diárias e preservar a união e a coesão, tendo sempre como base sólida a hierarquia e a disciplina --verdadeiros apanágios de nossa vocação militar".

O general terminou sua declaração com o lema "Brasil acima de tudo", brado da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército que foi apropriado como slogan de campanha por Bolsonaro.

No feriado da Independência, o presidente da República fez ameaças ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao presidente da corte, Luiz Fux. Bolsonaro também exortou desobediência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, e disse que canalhas nunca irão prendê-lo.

As declarações de Bolsonaro geraram resposta de Fux, que disse que o descumprimento de decisão judicial, se confirmada, configuraria "crime de responsabilidade".

Já o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), falou em "basta" e criticou o que chamou de "infinito looping negativo", mas não tocou no tema impeachment e enviou sinais de tentativa de apaziguamento.

Dias depois, Bolsonaro divulgou uma nota retórica na qual afirmou que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes" e atribui palavras "contundentes" anteriores ao "calor do momento". O documento foi redigido com a ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB).

O general Paulo Sérgio Nogueira foi nomeado para comandar o Exército no final de março deste ano, na esteira de uma crise militar causada por interferência de Bolsonaro.

Naquele mês, o mandatário demitiu o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e o substituiu pelo atual titular da pasta, Walter Braga Netto. Bolsonaro estava insatisfeito com as gestões de Azevedo para tentar manter as Forças Armadas distantes da política do governo --Braga Netto, por sua vez, é alinhado ao bolsonarismo.

A saída de Azevedo levou à renúncia dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Ao longo dos últimos meses, Bolsonaro promoveu uma escalada de declarações autoritárias que geraram tensão entre opositores e governadores. Ele chegou a questionar a realização das eleições em 2022 e a afirmar que só será derrotado em caso de fraude.

Também gerou apreensão a adesão de policiais militares ao bolsonarismo e falas do mandatário sobre as Forças Armadas.

Em mais de uma ocasião neste ano, Bolsonaro usou a expressão "meu Exército", que gerou críticas por ser interpretada como uma tentativa de politizar a instituição. Ele também se referiu às Forças Armadas como "poder moderador" --apesar de decisão do STF estabelecendo que os militares não têm essa atribuição.


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