Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 13 Mar (Reuters) - O lançamento da candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo será feito na próxima quinta-feira, durante uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital paulista, disseram à Reuters fontes que acompanham as discussões.
Lula e Haddad participarão da Caravana Federativa, um evento de balanço das ações do governo federal, no Expocenter Norte, em São Paulo, e de outro evento na Universidade Federal do ABC.
O anúncio da candidatura, segundo uma das fontes, acontecerá em algum momento no mesmo dia, mas não em discursos, já que são eventos do governo federal, o que é proibido pela legislação eleitoral. A intenção é que seja feita uma entrevista, provavelmente informal, em algum momento do dia para que Lula faça o anúncio.
Uma reunião de alinhamento para decidir o momento e a agenda deve acontecer na próxima terça-feira.
A exoneração de Haddad do ministério deverá ser publicada em edição extra do Diário Oficial no final da tarde da próxima sexta-feira. No mesmo dia, o ministro deve dar uma entrevista no escritório da Fazenda em São Paulo para marcar sua despedida do cargo.
Apesar da resistência inicial em concorrer nas eleições deste ano, Haddad terminou cedendo aos apelos do presidente. A necessidade de ter um palanque forte para Lula em São Paulo pesou na decisão do ministro. Fontes ouvidas pela Reuters contam que Lula deixou claro a Haddad que, apesar de entender sua vontade de não concorrer, essa é uma eleição em que o momento pesa mais que vontades pessoais.
Haddad pretendia ser apenas um dos coordenadores da campanha do presidente à eleição.
No entanto, as pesquisas recentes, inclusive do próprio PT, mostraram que o ministro, apesar de ter sido derrotado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o nome que aparece com uma votação mais consistente, mesmo que ainda distante de Tarcísio. Em uma eleição nacional que promete ser uma das mais difíceis dos últimos anos, um espaço consistente em São Paulo torna-se essencial, comentou uma das fontes.
Os primeiros passos de Haddad nessa campanha - que só começa oficialmente em agosto - será percorrer o Estado de São Paulo, disse uma outra fonte, para conversar com prefeitos, depois de tirar alguns dias de férias.
A chapa em São Paulo já tem ainda a definição da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que atendeu um pedido de Lula e será candidata ao Senado no Estado, e deve sair do MDB para isso. A outra vaga deve ser da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mas o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, também briga pelo espaço.
O vice de Haddad também ainda não está definido. O ministro quer um nome de centro-direita, conta uma das fontes, para agregar espaço político na chapa, e poderia vir de um prefeito do interior, mas nomes ainda estão em fase de especulação. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, deve ajudar nessa articulação e na campanha, especialmente no interior de São Paulo.

