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Bolsonaro não cometeu crime em reunião golpista com embaixadores, diz sub de Aras

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Vice-procuradora-geral da República e braço direito de Augusto Aras, Lindôra Araújo disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não cometeu crimes ou ato de improbidade na apresentação com ameaças golpistas a embaixadores estrangeiros em julho do ano passado.

Ela solicitou o arquivamento de um pedido de investigação do ex-presidente apresentado por deputados do PT, PSOL, PV, PSB e PDT.

Os parlamentares pediam apurações sobre suspeitas de crime contra o Estado democrático de Direito, delito eleitoral, crime de responsabilidade e de atos de improbidade administrativa.

Atualmente, Bolsonaro já é investigado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por causa da reunião com embaixadores, na qual o então presidente repetiu teorias da conspiração sobre urnas eletrônicas, desacreditou o sistema eleitoral e atacou ministros do Supremo.

O pedido enviado ao Supremo estava sob responsabilidade da ministra Rosa Weber, que já havia negado outra manifestação de Lindôra contra o andamento da ação. Rosa assumiu a presidência do STF em setembro do ano passado, e a relatoria do caso passou a ser do ministro Luiz Fux.

Lindôra afirmou que, por mais que sejam "questionáveis política e administrativamente" as manifestações de Bolsonaro, não vê crime no que ele disse.

Segundo Lindôra, "o discurso proselitista do representado [Bolsonaro] não tem o condão de incitar, direta ou indiretamente, a participação de seus apoiadores em atos criminosos ou de agressão à democracia ou mesmo a animosidade entre as Forças Armadas e os poderes constituídos".

A vice-PGR disse que a fala era "mera impressão sem a aptidão para abolir o Estado democrático de Direito ou fomentar o acirramento de ânimos na caserna contra o Tribunal Superior".

"[Não] se justifica o acionamento da justiça criminal para combater e reprimir a manifestação de ideias sem sentido aparente, sobretudo em se tratando de questões afetas à responsabilização política, que é imune à pesada força do Direito Penal."

Ela afirmou ainda que "agentes políticos não praticam atos de improbidade administrativa que se traduzem, em verdade, em crimes de responsabilidade". Nesses casos, estariam sujeitos à responsabilização política.

No processo, Bolsonaro se defendeu com o argumento de que, na reunião com os embaixadores, "apenas externou críticas a respeito das fragilidades do sistema eletrônico de votação, insuficientes para caracterizar a tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito com a restrição ou impedimento do exercício dos demais poderes constitucionais".

Também disse que seu discurso não incitou animosidade entre as Forças Armadas e a Justiça Eleitoral.

No evento do ano passado, Bolsonaro acusou ministros do Supremo de tentarem trazer instabilidade ao país, por desconsiderar as sugestões das Forças Armadas para modificações no sistema, a menos de três meses da disputa.

"Por que um grupo de três pessoas apenas quer trazer instabilidade para o nosso país, não aceita nada das sugestões das Forças Armadas, que foram convidadas?", disse.

Em mais de um momento, Bolsonaro tentou desacreditar os ministros, relacionando especialmente Edson Fachin e Luis Roberto Barroso ao PT e a Lula, que à época já liderava as pesquisas de intenção de voto.

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