Bolsonaro desdenha de vacina e enaltece kit Covid um dia após CPI apontar 9 crimes dele na pandemia

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

21/10/2021 11h35 — em Política

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defende, nesta quinta-feira (21), o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid e desdenhou da eficácia das vacinas para enfrentamento à doença.

"Eu também fui acometido (pela Covid), tomei hidroxicloroquina, no dia seguinte estava bom. Será que é porque é barato? Ainda continua em interrogação o tratamento", disse Bolsonaro durante evento de inauguração de obra hídrica em São José de Piranhas, na Paraíba.

As falas do presidente ocorreram durante evento de inauguração na Paraíba e um dia após a leitura do relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O documento será votado na próxima semana pela comissão.

O texto do relator aponta Bolsonaro como um dos principais responsáveis pelo agravamento da pandemia e sugere que o presidente seja responsabilizado e investigado por nove crimes na pandemia, entre eles crime contra a humanidade.

Bolsonaro atacou Renan Calheiros pelo relatório e aproveitou o discurso para acenar ao senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que tem evitado pautar desde agosto a sabatina de André Mendonça, indicado por Bolsonaro para o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Por que sou atacado 24 horas por dia? Onde eu errei? Relatório da CPI comandada por Renan Calheiros. Não chamem Renan de vagabundo, isso é elogio para ele. Não há maracutaia lá em Brasília que não esteja o nome do Renan envolvido".

"Esteve na (presidência do) Senado por dois anos o senador Davi Alcolumbre. E quem disputou a eleição com ele em 2019, Renan Calheiros. Imagine que desgraça estaria o Brasil dado ao que ele ia exigir para aprovar qualquer coisa naquela Casa, porque ele é o dono da pauta. Temos na maioria dos senadores pessoas de bem, mas não adianta ter boa tropa se o comandante não corresponde", disse Bolsonaro.

"Com Davi Alcolumbre, não tive problemas no Senado. Quase tudo que precisamos aprovamos lá, agradeço ao Davi por esses dois anos que ele esteve à frente do Senado. Se não estaria lá, Renan Calheiros, que, apesar de ser nordestino, nunca fez nada pelo Nordeste, nem pelo seu estado Alagoas".

No discurso, além de defender o kit Covid e atacar Renan Calheiros, Bolsonaro pôs em xeque a eficácia das vacinas contra a Covid-19 e criticou medidas de estados e municípios que têm exigido comprovante de vacinação para entrada em espaços públicos e privados nas flexibilizações da pandemia.

"Temos governadores e prefeitos exigindo passaporte vacinal. O nosso ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mesmo vacinado com a segunda dose contraiu a Covid. Outras pessoas da minha comitiva que estavam vacinadas com a segunda dose contraíram o vírus. É uma grande interrogação a Covid-19", disse.

Segundo especialistas em saúde, o principal objetivo das vacinas é evitar as mortes por Covid-19 após a vacinação completa, ou seja, duas doses da Coronavac, AstraZeneca ou Pfizer ou a dose única da Janssen.

Os imunizantes ainda reduzem as chances de contaminação pela doença e também de mortes provocadas pela Covid.

Desde o surgimento das vacinas, o presidente Jair Bolsonaro tem feito críticas aos imunizantes. Nesta quinta, ele reafirmou que não foi vacinado.

"Ofertamos a todos do Brasil a oportunidade de todos se vacinarem. Isso não quer dizer que a vacina seja obrigatória. Jamais defenderemos isso. Eu não tomei a vacina, quem quiser seguir meu exemplo que siga, quem não quiser que não siga, isso é liberdade".

"Dizem que quem se contaminou tem mais anticorpos do que quem se contaminou por que tomar vacina? Se eu quiser tomar lá na frente, eu tomo. Mas meu governo ofereceu vacina para toda a população, espero que ele seja eficiente", acrescentou.


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