A Assembleia Legislativa de Santa Catarina sediou audiência pública sobre desastres naturais. O evento integra uma série de debates nacionais promovidos pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas do Congresso Nacional, para levantar a realidade ambiental dos estados e as medidas que estão sendo tomadas para reduzir os prejuízos causados por eventos climáticos.
A presidente da Comissão Mista, senadora Vanessa Grazziotin , destacou que as pesquisas sobre mudanças climáticas indicam que eventos extremos se tornarão cada vez mais frequentes, criando a necessidade de se implantar uma política nacional de resposta a eventos extremos, com foco na prevenção. Santa Catarina, disse, foi escolhida para sediar a reunião pela sua experiência no combate aos efeitos de desastres naturais. "Nosso país tem um passivo histórico em defesa civil, onde não há ainda uma cultura de preparação. Precisamos modificar nossa forma de pensar, indispensável para que possamos evitar que novos desastres ocorram".
Expressando opinião semelhante, o deputado federal Sarney Filho afirmou que em 2009 o país investiu 10 vezes mais recursos em reparação dos efeitos dos desastres do que na sua prevenção. Caso fossem aplicadas mais verbas em prevenção, disse o senador, que atua como relator da Comissão Mista, milhares de vidas poderiam ser salvas. "Os eventos climáticos têm causado um número crescente de vítimas a cada ano. Tragédias que poderiam ter sido evitadas, caso houvesse um trabalho maior de orientação sobre as normas ambientais e de monitoramento de áreas de risco, como encostas de morros e margens de rios".
Governador do estado em 1983, ano em que as águas cobriram por mais de um mês 65% do território catarinense, desabrigando aproximadamente 300 mil pessoas, o deputado federal Esperidião Amin afirmou que, além de prejuízos, os eventos climáticos extremos podem trazer muitos ensinamentos. Além de investimentos em obras estruturais, como canais, represas e ampliação de barragens, disse, a enchente marcou a necessidade da criação de planos diretores nos municípios e o aprimoramento dos órgãos de defesa civil. "Temos uma história dramática e aprendemos muito com ela, de forma que hoje não se pode discutir desastres naturais sem incluir Santa Catarina".



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