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Ato na Faculdade de Direito da USP prega soberania após embate com Trump

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Manifestantes de entidades da sociedade civil se reúnem, na manhã desta sexta-feira (25), no salão nobre da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, para defender a soberania do Brasil. O objetivo do ato é protestar contra a taxação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto.

Aos gritos de "sem anistia", os manifestantes, que lotam as galerias do salão, também criticam a revogação dos vistos para entrada nos Estados Unidos que atinge ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), prestando solidariedade ao Judiciário e ao Ministério Público. O ato busca denunciar, assim, a interferência dos EUA nas instituições brasileiras e nos assuntos internos do país.

Participam da manifestação mais de cem entidades da sociedade civil, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o grupo Prerrogativas e a UNE (União Nacional dos Estudantes), além do Instituto Vladimir Herzog e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

A convocação para o ato foi assinada pelo diretor da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), Celso Campilongo, e pela vice-diretora, Ana Elisa Bechara. Também aderiram ao protesto o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical. Ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo Lula, José Dirceu compareceu ao ato.

"O Brasil sempre respeitou a solução pacífica dos conflitos internacionais e a não intervenção nos assuntos de outros países. O Brasil nunca teve um conflito grave comercial com os Estados Unidos. Isso é um pretexto da administração do Trump", afirma Dirceu.

"O objetivo dela é político: é a família Bolsonaro, a anistia, as big techs, e é também o objetivo de interromper a caminhada do Brasil por uma soberania tecnológica e financeira", diz, ressaltando que trabalha com o PT para lançar sua candidatura ao cargo de deputado federal no ano que vem.

"Não creio que o ato tenha relação com as eleições. Muitos podem querer a frente ampla, mas aqui o importante é a soberania e a democracia."

Os organizadores se inspiraram no ato de 11 agosto de 2022, quando setores da sociedade civil se uniram, no mesmo Largo de São Francisco, e leram uma carta em defesa do Estado democrático de Direito. Naquele contexto, havia o temor de que a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) pudesse ocasionar uma ruptura institucional. Realizado meses antes do pleito, aquele evento ajudou a pavimentar a frente ampla então encarnada pelo presidente Lula (PT).

O manifesto de agora, intitulado "Carta em Defesa da Soberania Nacional", destaca a necessidade de se preservar a independência do Brasil diante dos outros países. "Exigimos o mesmo respeito que dispensamos às demais nações. Repudiamos toda e qualquer forma de intervenção, intimidação ou admoestação, que busque subordinar nossa liberdade como nação democrática. A nação brasileira jamais abrirá mão de sua soberania, arduamente conquistada. Mais do que isso: o Brasil sabe como defender sua soberania", diz um trecho da carta, lida no ato de hoje.

O aumento em 50% no valor dos produtos exportados para os EUA, como anunciado pelo presidente americano Donald Trump, causará impactos na economia brasileira. Afinal, o mercado americano é o segundo maior destino das exportações do Brasil, só perdendo para a China. Entre os produtos mais vendidos Brasil para os EUA, estão o café, a carne e o suco de laranja. Trump anunciou o tarifaço porque, segundo ele, está em curso uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no STF sob acusação de participação em trama golpista.

Para José Eduardo Cardozo, que defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment, é fundamental que a pauta da soberania tenha adesão dos governadores.

"É uma luta travada contra aqueles que querem colocar o país de joelhos, aqueles que não querem que o poder venha do povo brasileiro. Se alguém concorda ou discorda do governo, isso é uma questão interna nossa. Jamais podemos admitir que as ordens venham do exterior para tentar coagir as instituições", afirmou.

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