A decisão também atraiu críticas fora do mundo artístico. O apresentador Luciano Huck, questionou: "Num festival de música, quem decide se vaia ou aplaude a opinião de um artista no palco é a plateia e não o TSE. Ou ligaram a máquina do tempo, resgataram o AI-5 e nos levaram para 1968?".
Manifestações políticas realizadas durante o festival, que teve início na última sexta, 25, fizeram com que o PL (Partido Liberal, do qual o presidente Jair Bolsonaro é filiado) entrasse com uma representação no TSE. A alegação era que críticas a Bolsonaro e exaltações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estariam ferindo a lei eleitoral. Um dos episódios envolveu a cantora Pabllo Vittar, que gritou "Fora Bolsonaro" e exibiu uma toalha com o rosto de Lula ao fim de sua apresentação.
O pedido do PL foi acolhido pelo TSE, que proibiu novas manifestações políticas no Lollapalooza em decisão liminar. Em caso de descumprimento, a organizadora do evento terá de pagar multa de R$ 50 mil.
O Estadão buscou contato com a assessoria de Pabllo Vittar, mas até o momento a cantora não se manifestou sobre a decisão do TSE. Durante a tarde deste domingo, em suas redes sociais, ela publicou algumas fotos de seu show no Lollapalooza, mas sem quaisquer referências políticas.
Também no domingo, dia seguinte à divulgação da decisão, após alguns imprevistos por conta da chuva, que causou atrasos e cancelamentos, a banda Fresno se apresentou por volta das 15h15 apresentando a frase "Fora Bolsonaro" em letras garrafais no telão do palco principal da atração. Durante participação no show, cantando Toda Forma de Amor, Lulu Santos subiu ao palco e afirmou: "Censura nunca mais!"
Outras manifestações
Daniela Mercury, que não faz parte do festival, divulgou uma nota por meio de sua assessoria em que diz que a decisão do TSE "soa como censura" e questiona: "A Constituição não assegura liberdade de expressão ao eleitor? A democracia é incompatível com censura prévia ao eleitor. O plenário do TSE precisa dizer aos eleitores, mesmo os que são artistas, se podem ser proibidos de manifestar espontaneamente sua preferência e sua crítica, a qualquer tempo."
Outro nome conhecido que também se manifestou sobre a decisão foi o youtuber Felipe Neto. Ele se propôs a auxiliar na questão: "Muitos não podem lidar com a perseguição do governo. Caso sejam perseguidos por se posicionarem, nosso movimento Cala Boca Já Morreu se dispõe a ajudá-los com a defesa. Se alguém for condenado e precisar, eu ajudo a pagar essa multa ilegal. Enfrentem!"
Entenda a decisão do TSE sobre o Lollapalooza
O ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acolheu pedido do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL, e proibiu, em decisão liminar, manifestações políticas no festival de música Lollapalooza.
Em caso de descumprimento, a organizadora do evento terá de pagar multa de R$ 50 mil, determina o despacho. "A manifestação exteriorizada pelos artistas durante a participação no evento, tal qual descrita na inicial, e retratada na documentada anexada, caracteriza propaganda político-eleitoral", entende o ministro do TSE. O caso deverá ser analisado em plenário, mas já tem valor legal.
O magistrado diz que a liberdade de expressão, direito assegurado na Constituição, não contempla as manifestações políticas dos artistas como as vistas no festival. "Caracteriza propaganda, em que artistas rejeitam candidato e enaltecem outro", argumenta o ministro. "Propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição".



