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André do Prado, do PL, é eleito presidente da Alesp e põe fim a hegemonia tucana

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado estadual André do Prado (PL) foi eleito nesta quarta-feira (15), com 89 votos, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, vencendo Carlos Giannazi (PSOL), seu único concorrente, que teve 5 votos. A eleição da Mesa Diretora ocorreu logo após a posse dos 94 deputados da nova legislatura.

A eleição de André já era esperada —ele costurou um arco de apoios que inclui PT e PSDB e unificou a bancada do PL, composta por uma ala do centrão e outra bolsonarista.

Aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e próximo de Valdemar Costa Neto, chefe do PL, André entra em seu quarto mandato na Casa. Antes disso, foi prefeito de Guararema (SP).

Antes da eleição da Mesa, durante a sessão solene de posse dos 94 deputados, André já circulava pelo plenário como eleito, distribuindo abraços. Ao cumprimentar Leci Brandão (PC do B), a chamou de "rainha". Ele foi um dos mais aplaudidos ao fazer seu juramento de posse.

Leci, que faz parte da federação PT-PC do B-PV, votou em André, seguindo a orientação do PT.

A vitória de André representa a ascensão do centrão na Alesp e desbanca quase 30 anos de domínio do PSDB sobre a Mesa Diretora —Carlão Pignatari (PSDB) deixa o cargo sem ter tentado a reeleição. Assim como no Governo de São Paulo, também no Legislativo a derrocada tucana reconfigurou a elite do poder no estado, abrindo caminho para Republicanos, PL e PSD.

André fez um discurso conciliador, com citações de declarações que foram de Tarcísio de Freitas a Ulisses Guimarães. "Somos 94 deputados com ideias, projetos e ações diferentes. Mas ao mesmo tempo consonantes", disse.

Ele também agradeceu a Deus e à família. Mencionou especificamente um agradecimento a Valdemar da Costa Neto e citou os ex-governadores Geraldo Alckmin (PSB), Márcio França (PSB), João Doria e Rodrigo Garcia (PSDB), com quem conviveu como deputado.

Ele agradeceu ao "governador Tarcísio de Freitas pela confiança e pelo apoio". "Vamos juntos trabalhar por um estado mais forte, humano e desenvolvido", completou.

"Durante essa presidência essa tribuna seguirá aberta e plural", discursou André, falando que "diferenças políticas serão respeitadas" e "excessos serão coibidos". Também afirmou que São Paulo deve seguir um "exemplo de harmonia entre Poderes".

O novo presidente da Alesp prometeu diálogo e espaço para todos os deputados.

Seguindo o acordo entre PT e PL, os petistas votaram em André do Prado —muitas vezes destacando respeito a Giannazi.

"Tenho sim afinidade muito grande com PSOL e com Giannazi, mas neste caso eu estou seguindo a orientação do Partido dos Trabalhadores, então vou votar em André do Prado, fazendo uma recomendação a ele, que abrace a causa da renda básica da cidadania", declarou Eduardo Suplicy (PT) em seu voto.

"Em favor da proporcionalidade e da unidade da oposição a Tarcísio, voto André do Prado", disse o deputado Paulo Fiorilo, futuro líder do PT. A deputada Paula da Bancada Feminista (PSOL) declarou esperar que a eleição, ou seja, a aliança PT-PL, não impeça a unidade da oposição de esquerda na legislatura.

A Casa era comandada por deputados do PSDB desde 2007. Por isso, a base de apoio de Tarcísio, formada sobretudo por PL, Republicanos e PP, articulou uma unidade em torno de André.

Antes do início da eleição da Mesa houve dois embates. O primeiro entre o então presidente Carlão com Giannazi, que pediu que cada candidato, ele e André, tivessem cinco minutos para debater suas propostas para a Casa, o que foi negado.

"Pela independência da Assembleia, pela autonomia, pelo fim do puxadinho do Palácio dos Bandeirantes", declarou Giannazi ao votar nele próprio.

O segundo embate foi entre a líder do PSDB, Analice Fernandes, e Carlão. O tucano havia chamado dois homens para ocupar a Mesa e ajudar na votação, quando a deputada pediu a palavra e solicitou que uma das vagas fosse dada a uma mulher.

Sem paciência, Carlão logo concordou com a troca, mas interrompeu a deputada. "Gostaria que uma mulher fosse convidada e que nunca uma mulher seja interrompida nesta Casa. Somos em 25 e merecemos respeito sempre", disse ela, recebendo aplausos das deputadas, inclusive as de esquerda.

"Tudo bem, deputada, parabéns para a senhora", respondeu Carlão de forma ríspida.

O primeiro desafio de André foi unificar a própria bancada, composta por um grupo de bolsonaristas, que se filiaram ao PL depois que Jair Bolsonaro migrou para a sigla, e um outro grupo de deputados "PL raiz" ou "centrão".

O grupo bolsonarista, na esteira da vitória de Tarcísio patrocinada por Bolsonaro, reivindicava o comando da Casa, mas teve que recuar quando Valdemar entrou em campo e escolheu André. O próprio Tarcísio, de forma reservada, decidiu apoiar André.

Para garantir sua eleição, André se comprometeu a manter o espaço do PT na Mesa e vem negociando a chefia das comissões com diversos partidos.

Os novos atores, no entanto, reproduziram os velhos acordos da Casa. Seguindo a tradição, a maior bancada, que já foi tucana e hoje é a do PL, com 19 deputados, teve a prerrogativa de ocupar a presidência da Mesa.

O PT, segunda maior bancada, com 18, manteve o segundo cargo da Mesa, a 1ª Secretaria, que dá direito a 80 cargos. Teonílio Barba (PT) ocupará o posto. O PSDB, terceira bancada com 9, terá a 2ª Secretaria, com Rogério Nogueira (PSDB).

Se antes o acordo da proporcionalidade fazia tucanos e petistas votarem entre si para garantir suas posições na Mesa, na tarde desta quarta o apoio mútuo envolveu o PL de Jair Bolsonaro e o PT de Lula, antagonistas no pleito de 2022.

Como o PSOL lançou apenas Giannazi e não havia concorrência para os demais cargos da Mesa, a votação de Barba e de Nogueira foi por aclamação, ou seja, não houve votação nominal, o que poupou o constrangimento político entre os deputados de votarem em seus adversários, sobretudo para os bolsonaristas —inimigos de PT e PSDB.

Após ser eleito 1º secretário, Barba cobrou que a Casa "retome a autonomia e independência". "Nós aqui da bancada de oposição, faremos uma oposição responsável, mas com muita firmeza ao governo privatista do Tarcísio, que está com uma sanha privatista mais que João Doria", disse.

Durante o evento de posse, os deputados já percorriam o plenário com objetivo de coletar assinaturas para CPIs.

Membros da oposição, os petistas Paulo Fiorilo e Paulo Reis, por exemplo, tentavam emplacar comissões sobre suspeitas de irregularidades na Fundação Butantan e a morte durante tiroteio com uma morte durante evento de campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O primeiro tema pega a gestão de João Doria e Rodrigo Garcia (PSDB). O segundo já atingiria a atual.

"Como o caso não está claro, querermos apoiar comissão parlamentar de inquérito para apurar tudo que aconteceu naquela data", disse Reis, sobre Paraisópolis.

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