O ministro da Saúde Eduardo Pazuello assinou, em agosto deste ano, a nomeação do agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Myron Moraes Pires no cargo de chefia da Coordenação-Geral do Complexo Industrial da Saúde (CGCIS), um dos órgãos do Ministério da Saúde responsáveis pelas negociações para a compra da vacina e de outros insumos utilizados no combate à covid-19.
A medida foi publicada em 10 de agosto daquele mês. Fontes relataram ao UOL que a nomeação do agente da Abin, sem a devida formação técnica para um cargo estratégico do ministério, gerou um "clima de terror" entre os funcionários da pasta. Além de Myron Moraes Pires, haveria outros agentes de inteligência, de acordo com os relatos.
Os agentes da Abin atuam no ministério em áreas de interesse direto do presidente Jair Bolsonaro, a exemplo da vacina contra covid-19, projetos de privatização de unidades de atenção básica e de saúde mental, além do monitoramento de entidades da sociedade civil que integram o Conselho Nacional de Saúde, informa uma dessas fontes com acesso direto a diversos servidores da pasta.
Procurados para se pronunciar a respeito da nomeação de Myron Moraes Pires, o Ministério da Saúde e a Presidência da República não responderam aos questionamentos da reportagem.

